2. Tiramos proveito real da Palavra, quando aprendemos o segredo da
Verdadeira alegria.
Esse segredo nos é revelado
em 1ª João 1:3,4; "Ora, a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho
Jesus Cristo. Estas cousas, pois, vos escrevemos para que, a vossa alegria seja
completa". Quando consideramos quão pequena (ínfima) é a nossa comunhão
com Deus, quão superficial é ela, não é para admirar que tantos crentes se
sintam comparativamente destituídos de alegria. Algumas vezes cantamos:
"Oh! Dia alegre, eu abracei Jesus e Nele a salvação; O gozo deste coração
eu mais e mais publicarei". Sim, mas, se porventura essa felicidade tiver
de ser mantida continuamente, que a mente e o coração se ocupem de Cristo.
Somente onde impera a fé, e o amor consequente, é que pode transbordar a
alegria. "Alegrai-vos sempre no
Senhor". (Filipenses 4.4).
Não há outro objeto, no qual
nos possamos regozijar "sempre". Tudo o mais varia, e é inconstante.
Aquilo que nos agrada no dia de hoje, pode provocar-nos asco amanhã. Mas, o
Senhor é sempre o mesmo, podendo Ele
ser motivo da nossa alegria, nos períodos de adversidade, tanto quanto, nos
períodos de prosperidade. Como reforço desse pensamento, declara o versículo
imediato: "Seja a vossa moderação, conhecida de todos os homens. Perto
está o Senhor". (Filipenses 4:5).
Que sejamos equilibrados em
todas as coisas externas; não nos deixemos envolver arrebatadamente por elas,
quando forem muito agradáveis, e nem nos perturbemos quando elas nos derem
motivo de desgosto. Não nos deixemos exaltar, quando o mundo nos sorri, e nem
fiquemos descoroçoados, quando parece que o mundo ralha conosco. Mantenhamos
uma estoica indiferença para com os confortos externos, – por que razão
ficaríamos tão ocupados com essas coisas, quando o próprio Senhor está "próximo"?
Se, porventura, somos violentamente
perseguidos, se as nossas perdas temporais são pesadas, consideremos que o
Senhor é, "Socorro bem presente nas tribulações". (Salmos 46:1) –
sempre pronto a dar-nos Seu apoio e socorro, contanto que nos abriguemos em
Seus braços. Ele cuidará de nós, de modo que não nos permitirá andar,
"Ansiosos de coisa alguma". (Filipenses
4:6). Os
indivíduos mundanos vivem sobrecarregados de cuidados, os mais exigentes; mas,
essa não deveria ser jamais a atitude dos crentes. "Tenho-vos dito estas
cousas, para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo, seja completo".
(João 15:11).
Quando ponderamos sobre
essas preciosas palavras de Cristo com a mente, e as entesouramos no coração, é
impossível, que não produzam em nós a alegria. O coração alegre se firma no
conhecimento crescente da verdade e em amá-la, conforme a verdade se acha em
Jesus. "Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram
gozo e alegria para o coração". (Jeremias 15:16). Sim, é quando nos
alimentamos e banqueteamos com as palavras do Senhor, que nossa alma se
fortalece, e então somos impelidos a cantar, e a fazer melodia em nossos
corações, louvando ao Senhor. "Então, irei ao altar de Deus, de Deus que é
a minha grande alegria" (Salmos 43:4).
Conforme Spurgeon disse com
grande aptidão: "Com que exultação os crentes devem aproximar-se de
Cristo, o qual é o antítipo do altar! Uma luz mais clara deveria
intensificar-nos o desejo. O salmista não se importava com o altar como tal,
porquanto, não cria no paganismo dos rituais, – mas, a sua alma desejava
comunhão espiritual, comunhão com o próprio Deus, na Verdade.
De que valeriam todos os
ritos de adoração, se Deus não estivesse neles? O que seriam, realmente, senão
conchas vazias e ressequidas cascas? Notemos o santo arrebatamento, com que
Davi considera o seu Senhor! Deus não era apenas a sua alegria, mas, também, a
sua grande alegria, não era apenas a fonte da alegria, o doador da alegria, ou o mantenedor
da alegria, mas antes, era a própria
alegria. A margem das traduções inglesas diz: "O regozijo de minha
alegria", isto é, a alma, a essência, as próprias entranhas da minha
alegria. "Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o
produto da oliveira mente, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas
foram arrebatadas do aprisco e nos currais, não há gado, todavia eu me alegro
no SENHOR, exulto no Deus da minha
salvação" (Habacuque 3:17,18).
Ora, isso é algo acerca do
que os indivíduos mundanos nada conhecem, em absoluto; mas, infelizmente,
também é uma experiência desconhecida para muitos crentes professos! É em Deus
que se origina a fonte da alegria espiritual e eterna; pois, Dele é que tudo
flui. Isso foi reconhecido pela antiga congregação judaica, quando foi dito:
"Todas as minhas fontes são em Ti". (Salmos 87:7).
Nenhum comentário:
Postar um comentário