“Mas, ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa
consolação” Lucas 6:24
OS RICOS: (continuação)
Aprofundando um
pouco mais em conhecer o que significa o viver que leva a pessoa que Jesus
intitula de “rica” no texto lido, digo e afirmo que a vida chamada de “vida
natural” ou vida da natureza, tem em si certo lampejo de conforto e de
segurança. Há um sentido de segurança numa família, na saúde, no dinheiro,
enfim, em tudo aquilo que a sociedade humana pode oferecer. Os olhos naturais
podem ver o que acontece no dia; os ouvidos podem ouvir a respeito das
providências dos homens para que tudo venha a melhorar futuramente.
Há
também um sentimento de certa paz em torno da vida natural, de que sempre
haverá a chuva que cai; que o sol brilhará normalmente em seu horário previsto;
que a noite chegará para que haja um descanso merecido. Na vida natural não há
qualquer expectativa de eternidade, pois a pessoa assim só pode pensar e agir
conforme aquilo que é visto debaixo do sol. Além do mais, o homem natural
sente-se como se tivesse direito de usufruir de tudo aquilo que este mundo
oferece, esta vida é o melhor que ele pode ter; nesta vida ele pode construir
seu paraíso, porquanto o engano do pecado afirma ao seu coração que o mundo
inteiro está ao seu dispor; que é tudo dele; ele foi elevado às alturas da
soberba da vida e de lá ele pode ver o que tudo o que o dono deste mundo lhe
oferece em troca do seu serviço.
A
pessoa “rica” conforme a linguagem usada por nosso Senhor tem suas riquezas em
torno de três coisas: Paixão da carne, paixão dos olhos e soberba da vida.
Essas três maravilhas promovidas por este mundo estão alojadas no santuário do
seu coração. Uma vez que esses três pináculos foram erigidos no santuário do
seu coração, o que acontece é que todo seu corpo é usado e funciona para
usufruir dessa riqueza. Ele apresentou seu corpo, por assim dizer, em
sacrifício vivo para cultuar ao deus deste mundo. Ele quer aproveitar o máximo
dessa vida, porquanto está morto para Deus, mas vivo para esta vida aqui. Toda
sua correria e agitação são porque tem o mundo inteiro gravado nas tábuas do
seu coração. Toda sua capacidade mental será usada para armazenar mais
informações deste reino passageiro; seus olhos ficarão sempre fascinados com
aquilo que para ele é tão belo; sua boca será usada para falar somente daquilo
que vem do seu coração iludido; suas mãos servirão para trabalhar no progresso
deste lugar; seus pés trilharão o caminho que toda multidão segue, o caminho
largo.
Aquele
que é chamado de “rico” na linguagem usada por nosso Senhor desconhece o que
significa contentamento diante de Deus, porque tendo o mundo inteiro alojado em
seu interior, ele se sente não somente como se fosse um deus, como também
imagina que tudo é para si e deve serviço a ele. Ele ambiciona mais lucros
desta vida e nunca se sentirá satisfeito, porquanto o deus mamom nunca o
deixará realizado. O império deste mundo com suas maravilhas exibidas aos olhos
do “rico” por meio daquele que é o Príncipe das trevas são demasiadamente grandes
e além de tudo ilusório. Os olhos do “rico” nunca dirão “basta”. Judas foi
conduzido nesse espírito de “rico na alma”, e foi engambelado no íntimo até que
pegou toda riqueza sonhada em suas mãos para descobrir tardiamente que era
puramente engano. Aquilo estava agora lhe queimando na consciência de tal
maneira que lhe empurrou para o abismo eterno. Nunca o “rico” deste mundo
estará satisfeito, porque cada dia é um dia diferente no qual ele será mantido
como prisioneiro do engano do pecado.
Os
três pináculos erigidos em seu coração: A paixão da carne, dos olhos e a
soberba da vida alimentam a ilusão de que tudo há de melhorar. Porém, enganado,
iludido, ele não sabe que a soberba da vida está lhe empurrando para o mais
profundo das paixões da carne e dos olhos. A situação é profundamente
enganadora. O “rico” na alma gostaria de ser ele o único no mundo a fim de
poder possuir tudo, por isso é que seus pés são velozes para derramar sangue,
isto é, tem que ser tirado de sua frente todo aquele que posicionar contra ele.
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