segunda-feira, 17 de junho de 2013

BENÇÃO E MALDIÇÃO 18




“Mas, ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação” Lucas 6:24
OS RICOS: (continuação)
        Aprofundando um pouco mais em conhecer o que significa o viver que leva a pessoa que Jesus intitula de “rica” no texto lido, digo e afirmo que a vida chamada de “vida natural” ou vida da natureza, tem em si certo lampejo de conforto e de segurança. Há um sentido de segurança numa família, na saúde, no dinheiro, enfim, em tudo aquilo que a sociedade humana pode oferecer. Os olhos naturais podem ver o que acontece no dia; os ouvidos podem ouvir a respeito das providências dos homens para que tudo venha a melhorar futuramente.
         Há também um sentimento de certa paz em torno da vida natural, de que sempre haverá a chuva que cai; que o sol brilhará normalmente em seu horário previsto; que a noite chegará para que haja um descanso merecido. Na vida natural não há qualquer expectativa de eternidade, pois a pessoa assim só pode pensar e agir conforme aquilo que é visto debaixo do sol. Além do mais, o homem natural sente-se como se tivesse direito de usufruir de tudo aquilo que este mundo oferece, esta vida é o melhor que ele pode ter; nesta vida ele pode construir seu paraíso, porquanto o engano do pecado afirma ao seu coração que o mundo inteiro está ao seu dispor; que é tudo dele; ele foi elevado às alturas da soberba da vida e de lá ele pode ver o que tudo o que o dono deste mundo lhe oferece em troca do seu serviço.
         A pessoa “rica” conforme a linguagem usada por nosso Senhor tem suas riquezas em torno de três coisas: Paixão da carne, paixão dos olhos e soberba da vida. Essas três maravilhas promovidas por este mundo estão alojadas no santuário do seu coração. Uma vez que esses três pináculos foram erigidos no santuário do seu coração, o que acontece é que todo seu corpo é usado e funciona para usufruir dessa riqueza. Ele apresentou seu corpo, por assim dizer, em sacrifício vivo para cultuar ao deus deste mundo. Ele quer aproveitar o máximo dessa vida, porquanto está morto para Deus, mas vivo para esta vida aqui. Toda sua correria e agitação são porque tem o mundo inteiro gravado nas tábuas do seu coração. Toda sua capacidade mental será usada para armazenar mais informações deste reino passageiro; seus olhos ficarão sempre fascinados com aquilo que para ele é tão belo; sua boca será usada para falar somente daquilo que vem do seu coração iludido; suas mãos servirão para trabalhar no progresso deste lugar; seus pés trilharão o caminho que toda multidão segue, o caminho largo.
         Aquele que é chamado de “rico” na linguagem usada por nosso Senhor desconhece o que significa contentamento diante de Deus, porque tendo o mundo inteiro alojado em seu interior, ele se sente não somente como se fosse um deus, como também imagina que tudo é para si e deve serviço a ele. Ele ambiciona mais lucros desta vida e nunca se sentirá satisfeito, porquanto o deus mamom nunca o deixará realizado. O império deste mundo com suas maravilhas exibidas aos olhos do “rico” por meio daquele que é o Príncipe das trevas são demasiadamente grandes e além de tudo ilusório. Os olhos do “rico” nunca dirão “basta”. Judas foi conduzido nesse espírito de “rico na alma”, e foi engambelado no íntimo até que pegou toda riqueza sonhada em suas mãos para descobrir tardiamente que era puramente engano. Aquilo estava agora lhe queimando na consciência de tal maneira que lhe empurrou para o abismo eterno. Nunca o “rico” deste mundo estará satisfeito, porque cada dia é um dia diferente no qual ele será mantido como prisioneiro do engano do pecado.
         Os três pináculos erigidos em seu coração: A paixão da carne, dos olhos e a soberba da vida alimentam a ilusão de que tudo há de melhorar. Porém, enganado, iludido, ele não sabe que a soberba da vida está lhe empurrando para o mais profundo das paixões da carne e dos olhos. A situação é profundamente enganadora. O “rico” na alma gostaria de ser ele o único no mundo a fim de poder possuir tudo, por isso é que seus pés são velozes para derramar sangue, isto é, tem que ser tirado de sua frente todo aquele que posicionar contra ele.

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