“Mas
Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu coração.” (Lucas
2:19)
AQUI
temos em atividade três faculdades desta bendita mulher: a sua memória: ela
guardava todas estas coisas; os seus afetos: ela guardava-as no seu coração; o
seu intelecto: ela conferia-as. De modo que a memória, os afetos e o
entendimento, tudo estava ocupado nas coisas que ela tinha ouvido.
Amado, recorda o que ouviste do teu
Senhor Jesus, e o que Ele tem feito por ti; depois faz do teu coração o vaso de
ouro do maná para preservar o memorial do pão do Céu do qual te alimentaste nos
dias passados. Deixa que a tua memória entesoure todas as coisas a respeito de
Cristo que tu tenhas sentido, conhecido ou crido, e então deixa que os teus
apaixonados afetos O retenham para sempre. Ama a pessoa do teu Senhor! Traz o
vaso de alabastro do teu coração, ainda que esteja quebrado, e deixa que todo o
precioso unguento do teu afeto corra sobre os Seus pés perfurados. Que o teu intelecto pense em Jesus: medita
no que lês; não te detenhas na superfície, penetra na profundidade. Não sejas
como a andorinha que toca o regato com as suas asas, mas como o peixe que
penetra na profundidade das águas. Habita com o teu Senhor; que Ele não seja para ti
como um simples caminhante, que fica só uma noite, porém, constrange-O,
dizendo-Lhe: “Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia.” Segura-O e
não O deixes ir. Na versão inglesa, em lugar da palavra “conferir”, temos ponderar, que significa pesar.
Prepara, pois as balanças para o juízo. Mas, onde estão as balanças que podem
pesar o Senhor Jesus? “Eis que lança por aí as ilhas como a uma coisa
pequeníssima,” quem pois O levantará a Ele? “Ele pesou os montes em balanças,”
em que balança O pesaremos a Ele? Se o teu entendimento não pode compreendê-Lo,
deixa que os teus afetos O entendam; e se o teu espírito não pode abarcar o
Senhor Jesus com a capacidade de compreensão do entendimento, abarca-O com os
braços do afeto.
Tradução de Carlos António da Rocha
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