domingo, 19 de maio de 2013

MEDITAÇÃO DE SPURGEON




E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam.” (Lucas 2:18)

         NÃO devemos cessar de nos maravilharmos com as grandes maravilhas de Deus. Seria muito difícil riscar uma linha divisória entre uma admiração santa, e uma adoração real; porque quando a alma está esmagada sob a majestade da glória de Deus, mesmo que não possa expressar essa majestade em música, nem ainda possa fazê-lo com a cabeça inclinada, em humilde oração, contudo, essa alma adora silenciosamente.
         O nosso Deus encarnado deve ser adorado como “o Maravilhoso.” Que Deus tenha considerado as Suas criaturas caídas, e, em lugar de as varrer com a vassoura da destruição, Ele próprio Se tenha encarregue de ser o Redentor do Homem e tenha pago o preço do seu resgate, é, na verdade, maravilhoso!
         Para cada crente, a redenção é muito mais maravilhosa à medida que ele a olha em relação consigo mesmo. É, de fato, um milagre da graça que Jesus tenha abandonado os tronos e as prerrogativas reais no Céu, para sofrer ignominiosamente por ti na Terra. Deixa que a tua alma fique atônita com a maravilha, porque a admiração é, neste caso, uma emoção muito prática. Uma admiração santa guiar-te-á a uma adoração agradável e uma sincera oração de ação de graças. Isto criará em ti uma piedosa vigilância, pois temerás pecar contra um amor tal como este.
         Ao sentires a presença do Deus poderoso na dádiva do Seu querido Filho, tirarás os sapatos dos teus pés, porque o lugar no qual estás é terra santa. Serás conduzido ao mesmo tempo para uma gloriosa esperança. Se Jesus tem feito coisas tão maravilhosas a teu favor, sentirás que o próprio Céu não é demasiado grande para a tua expectação. Quem, dos que ficaram admirados algum dia com a manjedoura e com a cruz, pode ficar admirado com outra coisa? Que outra coisa admirável pode haver para um que tenha visto o Salvador?
         Querido leitor, pode ser que da quietude e da solidão da tua vida, dificilmente possas imitar os pastores de Belém, que disseram o que tinham visto e ouvido, mas podes, pelo menos, encher o círculo dos adoradores que estão diante do trono, maravilhando-te com o que Deus tem feito.

Tradução de Carlos António da Rocha

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