domingo, 7 de julho de 2013

- O Tesouro de David (3)



SPURGEON
         Vers. 3. Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? É possível que os fundamentos da religião sejam destruídos? Pode Deus estar sonolento, sim, letárgico, de modo que seja possível a sua ruína? Se Ele olha, e, contudo, não vê que estes fundamentos são destruídos, onde está a Sua onisciência? Se o vê e não pode evitá-lo, onde se acha a Sua onipotência? Se o vê, pode evitá-lo e não o faz, onde Se acham a Sua bondade e a Sua misericórdia?
         Respondemos de modo negativo, que é impossível que os fundamentos da religião possam ser destruídos de modo total e final, seja em relação com a Igreja em geral ou em referência a cada um dos seus membros vivos e verdadeiros. Pela razão de que temos uma promessa explícita de Cristo: «As portas do inferno não prevalecerão contra ela» (Mateus 16:18). Thomas Fuller
         Sim. É a única palavra de consolo no texto, já que mostra que tudo o que se diz não é positivo, senão uma hipótese. Bem, é bom conhecer o pior de tudo, para que possamos acautelar-nos em consequência; e, portanto, que, em hipótese, contemplemos este caso lamentável não como duvidoso, senão como um fato; não como temido, senão como sentido; senão como suspeito, mas sim como tendo ocorrido na realidade. Thomas Fuller
         Primeiro, um triste caso suposto: Se os fundamentos são destruídos. Segundo, uma triste pergunta que propõe: O que poderá fazer o justo? Terceiro, uma triste resposta implícita, ou seja, que não pode fazer nada com o objetivo de restabelecer o fundamento destruído. Thomas Fuller
         A sua resposta à pergunta «O que pode fazer o justo?» seria a contra pergunta «O que é o que não pode fazer?» Quando a oração põe Deus em movimento do nosso lado, e quando a fé assegura o cumprimento da promessa, que motivo pode haver para a fuga, por cruéis e poderosos que sejam os nossos inimigos? C. H. S.
         O que pode fazer o justo? O «pode» do justo é um «pode» limitado, confinado à regra da Palavra de Deus. O justo não pode fazer nada que não seja legal fazer (II Coríntios 13:8). Porque não podemos fazer nada contra a verdade, senão pela verdade. O malvado pode fazer tudo; a sua consciência, que é tão larga que nem é consciência, permite-lhe fazer tudo, por ilegítimo que seja: matar, envenenar, o que seja, por todos os meios, em todo o tempo, em qualquer lugar, a todo aquele que se interpõe entre ele e a consecução dos seus desejos.
         Não assim o justo; estes têm uma regra pela qual têm de obrar, que nem podem, nem devem, nem se atrevem a quebrantar. Portanto, se um justo tivesse a segurança de que o quebrantar um dos mandamentos de Deus pode restaurar a religião decaída e voltar as coisas ao seu estado prévio, as suas mãos, a sua cabeça e o seu coração estariam maniatados; não pode fazer nada, porque cairia sobre ele a condenação justa que diz: «Façamos males para que venham bens» (Romanos 3:8); Thomas Fuller
         Os tempos de pecar em abundância foram sempre, para os santos, tempos para muita oração. Sim, isto é o que podem fazer: «jejuar e orar». Há ainda um Deus nos céus a quem acudir quando a libertação de um povo se acha além do que podem fazer as disposições e o poder humanos. William Gurnall
Vers. 4. O SENHOR está no seu santo templo. Os céus estão em cima das nossas cabeças em todas as regiões da Terra, e assim o Senhor acha-Se sempre perto de nós, em todo o estado e condição. Esta é uma razão muito poderosa para que não adotemos as vis sugestões de desconfiança. Há Um que alega o Seu precioso sangue em nosso favor no templo de cima, e ali há Um no trono que não está nunca surdo à intercessão do Seu Filho. Por que, pois, havemos de temer? Que planos e intrigas pode imaginar o homem, que Jesus não possa descobrir?

O trono do SENHOR está nos céus. Se confiarmos neste Rei de reis, não basta? Não pode Ele libertar-nos sem a nossa covarde retirada? Sim, bendito seja o nosso Senhor e Deus, que O podemos saudar como Jehová-nissi; no Seu nome hasteamos as nossas bandeiras, e, em vez de fugir, gritamos uma vez mais o grito de guerra. C. H. S.

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