SPURGEON
Vers.
3. Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?
É possível que os fundamentos da religião sejam destruídos? Pode Deus estar
sonolento, sim, letárgico, de modo que seja possível a sua ruína? Se Ele olha,
e, contudo, não vê que estes fundamentos são destruídos, onde está a Sua onisciência?
Se o vê e não pode evitá-lo, onde se acha a Sua onipotência? Se o vê, pode
evitá-lo e não o faz, onde Se acham a Sua bondade e a Sua misericórdia?
Respondemos
de modo negativo, que é impossível que os fundamentos da religião possam ser
destruídos de modo total e final, seja em relação com a Igreja em geral ou em
referência a cada um dos seus membros vivos e verdadeiros. Pela razão de que
temos uma promessa explícita de Cristo: «As portas do inferno não
prevalecerão contra ela» (Mateus 16:18). Thomas Fuller
Sim.
É a única palavra de consolo no texto, já que mostra que tudo o que se diz não
é positivo, senão uma hipótese. Bem, é bom conhecer o pior de tudo, para que
possamos acautelar-nos em consequência; e, portanto, que, em hipótese,
contemplemos este caso lamentável não como duvidoso, senão como um fato; não
como temido, senão como sentido; senão como suspeito, mas sim como tendo
ocorrido na realidade. Thomas Fuller
Primeiro,
um triste caso suposto: Se os fundamentos são destruídos. Segundo,
uma triste pergunta que propõe: O que poderá fazer o justo? Terceiro, uma
triste resposta implícita, ou seja, que não pode fazer nada com o objetivo de
restabelecer o fundamento destruído. Thomas Fuller
A
sua resposta à pergunta «O que pode fazer o justo?» seria a
contra pergunta «O que é o que não pode fazer?» Quando a oração põe Deus
em movimento do nosso lado, e quando a fé assegura o cumprimento da promessa,
que motivo pode haver para a fuga, por cruéis e poderosos que sejam os nossos
inimigos? C. H. S.
O que pode fazer o justo? O «pode»
do justo é um «pode» limitado, confinado à regra da Palavra de Deus. O
justo não pode fazer nada que não seja legal fazer (II Coríntios 13:8). Porque
não podemos fazer nada contra a verdade, senão pela verdade. O malvado pode
fazer tudo; a sua consciência, que é tão larga que nem é consciência,
permite-lhe fazer tudo, por ilegítimo que seja: matar, envenenar, o que seja,
por todos os meios, em todo o tempo, em qualquer lugar, a todo aquele que se
interpõe entre ele e a consecução dos seus desejos.
Não
assim o justo; estes têm uma regra pela qual têm de obrar, que nem podem, nem
devem, nem se atrevem a quebrantar. Portanto, se um justo tivesse a segurança
de que o quebrantar um dos mandamentos de Deus pode restaurar a religião
decaída e voltar as coisas ao seu estado prévio, as suas mãos, a sua cabeça e o
seu coração estariam maniatados; não pode fazer nada, porque cairia sobre ele a
condenação justa que diz: «Façamos males para que venham bens» (Romanos 3:8); Thomas
Fuller
Os
tempos de pecar em abundância foram sempre, para os santos, tempos para muita
oração. Sim, isto é o que podem fazer: «jejuar e orar». Há ainda um Deus nos
céus a quem acudir quando a libertação de um povo se acha além do que podem
fazer as disposições e o poder humanos. William
Gurnall
Vers. 4. O SENHOR está no seu santo templo. Os céus estão em cima das nossas
cabeças em todas as regiões da Terra, e assim o Senhor acha-Se sempre perto de
nós, em todo o estado e condição. Esta é uma razão muito poderosa para que não
adotemos as vis sugestões de desconfiança. Há Um que alega o Seu precioso
sangue em nosso favor no templo de cima, e ali há Um no trono que não está
nunca surdo à intercessão do Seu Filho. Por que, pois, havemos de temer? Que
planos e intrigas pode imaginar o homem, que Jesus não possa descobrir?
O trono do SENHOR está nos céus. Se confiarmos neste Rei de reis,
não basta? Não pode Ele libertar-nos sem a nossa covarde retirada? Sim, bendito
seja o nosso Senhor e Deus, que O podemos saudar como Jehová-nissi; no Seu nome
hasteamos as nossas bandeiras, e, em vez de fugir, gritamos uma vez mais o
grito de guerra. C. H. S.
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