C.
H. Spurgeon
SALMO 11
Vers. 1. No SENHOR confio;
como dizeis à minha alma: Fugi para a vossa montanha como pássaro? Quando Satanás não pode
derrotar-nos por meio da presunção, com que astúcia procura a nossa ruína por
meio da desconfiança! Lançará mão dos nossos amigos mais queridos para nos
convencer de que não tenhamos confiança, e usará uma lógica tão plausível que,
a menos que afirmemos de modo definitivo a nossa confiança imutável em Jeová,
conseguirá que como um pássaro tímido fujamos para as montanhas sempre que se
apresente perigo. C. H. S.
Podemos
observar que David sentia prazer usando a metáfora com frequência,
comparando-se a um ave, e a várias classes delas; primeiro a uma águia (Salmo
103:5): «A minha juventude é renovada como a de uma águia»; às vezes a
um mocho (Salmo 102:6): «Sou como um mocho entre as ruínas»; às vezes a
um pelicano, no mesmo versículo: «como um pelicano no deserto»; outras a
um pardal (Salmo 102:7): «Como o pardal solitário sobre o telhado»;
algumas vezes a uma perdiz: «Como quando alguém caça uma perdiz.»
Alguns dirão: «Como é possível que aves
de pluma tão diferente possam agrupar-se e representar o caráter de David?»
Responderemos que não há dois homens que possam diferir mais um do outro que o
mesmo servo de Deus, em distintos momentos, pode diferir de si mesmo.
As
suas palavras «como dizeis à minha alma, que escape para o monte qual
ave?» Implicam certa emoção, pelo menos, desagrado perante o conselho.
Argui-se que David não estava ofendido pelo conselho, mas sim pela maneira como
lhe é proposto. Os seus inimigos fazem-no ironicamente, burlando-se, como se o
ir voando ali, não tivesse propósito algum, e, que não era provável que achasse
ali a segurança que procurava. Assim, quando os principais dos sacerdotes se
burlavam de Jesus (Mateus 27:43), diziam: «Pôs a sua confiança em Deus;
livre-o agora se o ama.» A confiança de Cristo em Deus nunca variou um
ponto pelas mofas ou pelas repreensões que Lhe lançavam. Por outro lado, se as
burlas dos homens fazem com que menosprezemos o bom conselho, nesta época com
burlas nos separariam do nosso Deus, e de Cristo, e das Escrituras, e do Céu; o
apóstolo Judas, vers. 18, já predisse que nos últimos tempos haveria escarnecedores,
que andariam conforme as suas próprias concupiscências. Thomas Fuller
É
uma ofensa tão grande o fazer um novo Deus como o negar o verdadeiro. «A
quem tenho eu nos céus senão a ti?», entre os milhares de santos, entre
Miguel ou Gabriel, Moisés ou Samuel. «E não há nada na Terra quem deseje
em comparação Contigo.» John King, 1608. Nas tentações da
tribulação e de terror não é conveniente discutir a coisa com Satanás. Richard
Gilpin
A
sombra não refresca, a menos que se esteja nela. Do que serve ter sombra, nem
que seja de uma penha alta, se nos sentarmos sob o Sol; o ter à disposição o
braço do Onipotente, se nos apartamos Dele e fazemos escapadas nas próprias
fauces da tentação? As caídas dos santos tiveram lugar quando eles saíram da
sua trincheira e da sua fortaleza; porque a sua força é como a dos coelhos,
animais débeis em si mesmos, cuja fortaleza se acha na rocha do Todo-Poderoso,
que é a Sua habitação. William Gurnall
Vers. 2. Pois eis que os ímpios armam o
arco, põem as flechas na corda. O arco é esticado, e a flecha é colocada na
corda: «Foge, foge, pássaro indefeso; a tua segurança está na fuga; foge,
porque os teus inimigos vão enviar os seus dardos ao teu coração; apressa-te,
porque depressa vão destruir-te!» David parece haver sentido a força do
conselho, porque vinha da sua própria alma; mas, contudo, não quer ceder, senão
que se atreve a encarar o perigo antes que exibir desconfiança no Senhor seu
Deus. C. H. S.
Os
principais dos sacerdotes e fariseus prepararam armadilhas para apanhar Jesus
por meio da sua astúcia e matá-lO; esticaram o seu arco quando compraram a Judas
para que traísse o Seu Mestre; colocaram as suas flechas na corda quando
procuraram «falsos testemunhos contra Jesus para lhe dar morte» (Mateus
26:59). Michael Ayguan, 1416, in J. M. Neale’s Commentary.
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