quarta-feira, 30 de abril de 2014

SALMO 23 (4) Spurgeon




Vers. 3. Refrigera a minha alma, ou noutra versão, confortará a minha alma. Quando a alma está afligida, Ele restaura-a; quando peca, santifica-a; quando é débil, corrobora-a. Ele fá-lo. Os Seus ministros não poderiam fazê-lo se Ele não o fizesse. A Sua Palavra não bastaria por si só. “Ele conforta a minha alma.” Há alguns em que a graça tenha sofrido uma descida? Sentimos que a nossa espiritualidade se acha no seu ponto mais baixo? Ele que pode transformar este baixo nível numa inundação, pode também restaurar a nossa alma. Pede-Lhe, pois, a Sua bênção: “Restaura-me, Pastor da minha alma!” C. H. S.
Ele restaura a alma à sua pureza original, que tinha passado a ser negra e hedionda pelo pecado; por que bem haveria em verdes pastos com uma alma pestilenta? Ele a restaura ao estado natural nos afetos, que tinha sido deformada pela violência das paixões; porque, ai! Que bem haveria em “águas tranquilas” para espíritos turbulentos?
Ele a restaura realmente à vida, que tinha passado a ser morte; e quem pode “restaurar a minha alma” à vida a não ser Aquele que é o Bom Pastor e que dá a Sua vida pelas suas ovelhas?
Veredas da justiça, ou noutra versão, caminhos de justiça. Ai, Senhor!, estes “caminhos de justiça” têm sido tão pouco frequentados que os rastos neles apenas são visíveis; agora é difícil achar onde se encontram os caminhos de justiça, e ainda que se possam achar são tão estreitos e cheios de rodadas que é impossível evitar o cair ou o perder-se.
Vers. 4. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum. Este delicioso versículo foi cantado por muitos no seu leito de morte e ajudou-os a transformar o escuro vale em claro dia, na sua mente. Cada palavra do mesmo tem uma riqueza de significado.
“Ainda que eu andasse”, no que vemos que o crente não aviva o seu passo quando chega a hora de morrer, mas que com calma vai andando com Deus. Andar indica o avanço firme e seguro da alma que conhece a rota, o seu fim, e decide seguir o caminho, sente-se segura, e portanto está perfeitamente sossegada e calma. O santo que morre não se apressa, não corre como se estivesse alarmado, não fica quieto como se recusasse a seguir adiante; não está confuso nem envergonhado, e, portanto, segue no seu antigo passo.
Observa que não é andando no vale, mas sim pelo vale. Nós vamos ao longo do escuro túnel da morte e saímos para a luz da imortalidade. Não morremos, mas antes dormimos para despertar na glória. A morte não é a casa, mas o pórtico; não é o objetivo nem a meta, mas a passagem para a mesma. O passo da morte é chamado um vale. E então não é “o vale da morte”, mas “o vale da sombra de morte”, porque a morte na sua substância foi eliminada e dela só fica a sua sombra. Alguém disse que quando há uma sombra tem de haver luz em alguma parte, e a há. A morte acha-se junto ao caminho pelo qual temos de transitar, e a luz do céu brilhando sobre o caminhante projeta uma sombra no nosso andar; alegremo-nos porque há luz mais à frente.
Ninguém tem medo de uma sombra, porque uma sombra não pode deter um homem no seu caminho nem ainda um instante. A sombra de um cão não morde; a sombra de uma espada não mata; a sombra da morte não nos pode destruir, portanto, não há motivo para temer.

AS CONSEQUÊNCIAS DE AFASTAR-SE DE DEUS (5)




“A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê, que má e amarga coisa é o teres deixado o Senhor teu Deus, e o não haver em ti o temor de mim, diz o Senhor Deus dos exércitos” (Jeremias 2:19)
AS REPREENSÕES: “As tuas apostasias te repreenderão...”
         Prezado leitor, minha tarefa hoje consiste em mostrar exatamente aquilo que o texto exibe perante nossos olhos: “...e as tuas apostasias te repreenderão...”. O que significa as repreensões da apostasia? Analisemos bem a profundidade dessa verdade à luz da bíblia, assim veremos o que acontece na experiência. Almejo que essa luz dissipe toda escuridão mobilizada pela iniquidade, e assim possamos andar em santo temor, cuidado e plena certeza de fé. Apartar-se do Senhor pode bem ser o indício de uma fé falsa, feita de plástico, incapaz de suportar as duras provas. Desviar-se do Senhor pode ser a fatal caminhada rumo à eterna perdição, com coração endurecido e incapaz de um retorno. A fé verdadeira começa com Deus e é aperfeiçoada por aquele iniciou no coração (Filipenses 1:6). Verdadeiros santos de Deus tendem a retroceder, mas jamais tem prazer em continuar na iniquidade.
         Ó, quão perigoso é distanciar-se do Senhor! Parece que há um respiro de alívio! Parece que finalmente a liberdade chegou e o verdadeiro sentido de viver aparece à frente. Parece que as lindas campinas de Sodoma chamam ao paraíso! Nada de sofrimento, de lutas, de cruz que precisa ser carregada! Ora, quão bela é a vida no pecado! Quantas oportunidades para aproveitar bem os anos que supostamente virão! Quantas veredas agradáveis despontam no horizonte e não há nenhum sinal de juízo!
         Mas caro leitor permita que eu mostre agora as reais repreensões desse afastamento. Primeiramente digo que a distância o repreende. Ó frágil ave, distante do Senhor, não percebe que está cercada de perigos fatais? Ó ovelha errante, por que distanciar do Pastor? Porventura, que habilidade você tem para lutar contra os lobos devoradores? Por que ficar longe da verdade? Mais distante desse lar onde brilha a luz da verdade revelada, maior será a escuridão onde estará aprisionado. Por que distanciar-se do verdadeiro amor disciplinador e acolhedor desse Deus que prova Seu amor aos homens? Porventura, há amor neste mundo maligno? As táticas de satanás são armadilhas mortais que são usadas a fim de prender os incautos e loucos. Por que afastar-se da pureza, da santidade, a fim de sujar seu coração, mente e emoções com os lixos mundanos?
         Digo mais que o próprio acampamento inimigo lhe repreenderá. Ah! Quão triste e vergonhoso é o ambiente para onde se dirige o apóstata! Pedro pensava que estava seguro longe do Senhor, mas uma simples criada foi suficiente para desmascará-lo! Os inimigos riem, zombam e escarnecem quando recebem alguém que se desviou do Senhor. Alguém se afastou da milícia celestial e agora fará parte do exército que guerreia contra Deus e contra Seus santos. Quantos confessavam Cristo com alegria, mas agora estão emudecidos perante os inimigos do Senhor! Quantos proclamavam fidelidade ao Rei dos reis, mas agora se inclinam perante o príncipe deste mundo! Quantos caminhavam em santidade, mas saudaram a imundície e pactuaram com o mundo!
         O que posso falar a respeito daqueles que já deram as costas à verdade, porque acenaram em busca das fantasias mundanas! Se persistirem pela íngreme descida mundana, certamente não passa de uma alma infeliz, miserável que vivia enganada! O que acontecerá quando partir deste mundo? Que recepção terá no inferno? “O Seol desde o profundo se turbou por ti, para sair ao teu encontro na tua vinda...”! Os que desceram para lá vão recepcionar o apóstata com grande euforia dizendo: “...Tu também estás fraco como nós, e te tornaste semelhante a nós”! (Isaías 14:9,10).
         Caro leitor, volte ao Senhor agora, em quebrantamento e coração contrito!
        

A SOBERANA SALVAÇÃO (7)




“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44).
         A NECESSIDADE DA SOBERANIA (continuação) “Ninguém pode vir a mim...”
         Prezado leitor, encerrei a meditação anterior apresentando um pouco a respeito da glória do Filho de Deus. É impossível ir a Cristo, a não ser que Deus, o Pai conduza a alma. Achegar-se a esse ser glorioso, àquele que é o Deus unigênito, a revelação de Deus, simplesmente é impossível até mesmo para nossa concepção mental. Podemos nos dirigir para uma igreja; podemos adaptar facilmente a uma organização religiosa; podemos aceitar na mente os ensinos concernentes a Cristo, Sua morte, ressurreição e Sua salvação; podemos declarar com nossos lábios uma confissão religiosa de nossa fé, porém, ir a Cristo para a salvação de sua alma, para ser Dele, viver por Ele e para Ele aqui e na eternidade é algo completamente impossível para a natureza corrompida do homem.
         Creio que preciso mostrar essa glória de Cristo em algumas passagens bíblica. Vemos por ocasião da Sua transfiguração, quando Pedro, Tiago e João simplesmente procuraram um esconderijo; não podiam ficar em pé diante da fascinante glória do Filho de Deus. Eles estavam tendo a mesma visão que Moisés tivera na sarça (Êxodo 3); a mesma que Isaías contemplou e que o deixou aterrorizado, vendo sua culpa e o inferno escancarado à sua frente (Isaías 6). Foi também a mesma visão que Paulo tivera no caminho de Damasco (Atos 9), quando foi cercado por essa radiante glória que por misericórdia culminou em sua salvação e transformação.
         Querido leitor, o pouco que foi dado creio que serve para que entendamos os ensinos a respeito da nossa vil condição no pecado. Importa que todos saibam desses fatos, do contrário os homens serão engambelados com as sutilezas religiosas de satanás. Preciso apresentar o caminho certo, mas para que todos vejam o caminho exato, preciso fazer com que a luz da verdade brilhe intensamente. Por isso chamo sua atenção para o texto: “Ninguém pode vir a mim...”. Note como nosso Senhor foi taxativo no que tange a incapacidade do homem para ir a Ele por si mesmo. Ele afirma: “Ninguém...”. Ele não disse que há um grupo especial de pessoas que podem ir a Ele; também, nada falou sobre a gravidade de alguns atos pecaminosos nas vidas de muitos.
         Nosso Senhor envolve toda raça humana nesse termo: “Ninguém”; foram envolvidos os orgulhosos judeus, os quais confiavam em sua religião e costumes judaicos. O Senhor toma toda raça e coloca todos numa só família – a família adâmica, caída e culpada; o Senhor coloca todos na mesma condição em Adão, na mesma situação de condenados e carregando a mesma natureza pecaminosa, todos com a mesmíssima inclinação natural; todos juntos em harmoniosa rebelião contra Deus e disposto a apontar suas armas contra os céus, a fim de destituir a divindade de Sua posição de glória e de honras.
         Ora, não gostamos dessas terríveis revelações a nosso respeito. Gostamos muito de ser ovacionados e celebrados como seres especiais; gostamos muito de ser vistos como vítimas da situação cruel de sofrimento pela qual passa a raça humana; queremos que imediatamente apareça um deus que possa trazer o céu para a terra, pois almejamos estar revestidos de bênçãos e ser coroados de glória e de honras. Mas, nosso Senhor aponta nossa culpa, revela nossa origem de uma raça terrivelmente culpada e declara que todos nós fomos destituídos, postos fora, demitidos do lugar de honra. O que aparece agora é uma multidão de homens e mulheres expulsos da presença de Deus e numa situação de ruína espiritual.
         Amigo,  toda essa verdade aparece a fim de que sejamos humilhados. A Palavra de Deus se encarrega de fazer com que caiamos no pó, no desespero. Ela nos emudece e desmancha tudo aquilo que pintamos por fora de espiritualidade. Cristo veio buscar pecadores; veio chamar homens e mulheres ao arrependimento.

“QUANDO ELE SE TORNAR O JUIZ” (19)




“Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim os que praticais a iniquidade” (Mateus 7:23)
A MUDANÇA EXPÕE SUA SANTIDADE: “...apartai-vos de mim...”
         Caro leitor o texto em pauta nos põe perante o Juiz, para que presenciemos em santo temor o terror que aguarda aqueles que agora zombam da simplicidade do Filho de Deus e rejeitam em seus corações o santo evangelho. Também é para que os salvos fiquem humilhados e saibam que escaparam da punição eterna porque o Senhor usou de compaixão e os chamou para Seu reino e glória.
         Milhares que estarão perante o trono de juízo inevitavelmente vão ouvir a terrível sentença proferida pelo Senhor: “...apartai-vos de mim...”. Isso revela a grandeza da santidade do Senhor. O trono Dele revelará o quanto Ele foi, é e sempre será Santo; o quanto o Senhor da glória odiou a iniquidade e amou a justiça; o quanto Sua morte na cruz tinha como objetivo a completa destruição do pecado. Mas naquele Dia estarão perante Ele homens e mulheres que ouvirão a autoridade da Palavra daquele que fez o céu e a terra pela Palavra do Seu poder e com a mesma Palavra sustenta o universo. A ordem vinda do Juiz é para que homens e mulheres se apartem Dele. Ele não diz para apartar da casa Dele, do céu Dele, mas sim apartar Daquele que é eternamente Santo. No pecado homens e mulheres estão manchados, estão sujos e no pecado eles conspurcaram a criação do Senhor. Perante o grande Juiz homens e mulheres verão a distinção que há. Hoje vemos uma intensa luta dos mundanos para que unir tudo, para declarar que não há distinção, que todos pertencem a Cristo. Estão unidos num esforço incrível para dizer que não há pecado; querem forçar Deus a aceitar todos com todo tipo de iniquidade. Mas naquele Dia eles verão que todo esforço ecumênico não passava de engano e que foram ludibriados pelo pai da mentira.
         Caro leitor, também claramente vemos a singularidade de Sua glória: “apartai-vos de mim”. Ora, Ele sempre falou isso, mesmo em Sua humilhação e humanidade. O Senhor jamais se associou a qualquer sistema iníquo; jamais foi corrompido por qualquer sujeira da mentira. Sempre ordenou que satanás se afastasse Dele; sempre atacou a maldade, incredulidade e a hipocrisia do pecado por meio de elementos com aparência religiosa. Em Seus ensinos nosso Senhor jamais violou Sua pureza, pois mostrou que veio ao mundo para atacar o reino nefando do diabo e o sistema tão vil deste mundo. Inclusive mostrou que Sua intenção era a cruz, a fim de atingir violentamente o pecado e comprar com Seu sangue um povo purificado e justificado para Ser exclusivamente Dele (Tito 2:14).
         Notemos também que Seus servos jamais mudaram ou contornaram a mensagem do evangelho. Aqueles homens santos foram fieis na entrega da mensagem e assustaram o mundo maligno com um povo diferente. Homens e mulheres eram salvos e passavam a viver em santo temor. Homens como Zaqueu simplesmente passavam a abominar a maldade, a fim de viver para a justiça. Nunca houve qualquer intenção do evangelho em harmonizar o mundo e seu sistema maligno com a pureza do evangelho. A mensagem santa sempre andou em contrariedade ao mundo e os salvos sempre mostraram que foram transformados a fim de andar rumo ao céu.
         Então caro leitor, quanto engano do coração pensar num juízo diferente! Ó quantos estão descansando numa falsa paz, porque acham que vão escapar no juízo! O Dia do Senhor será aterrorizante! O Dia do Senhor será eternamente pavoroso! Homens e mulheres devem aproveitar o Senhor e Salvador que agora é perfeito Advogado dos pecadores! Devem correr para Ele agora! Devem der zelosos em arrepender-se de seus pecados! Devem aproveitar agora todos os recursos da graça, todas as preciosíssimas oportunidades para conhecer as riquezas da tão grande salvação conquistada por Cristo! Devem aproveitar que agora estão sob esse toldo da compaixão de Deus!