terça-feira, 24 de junho de 2014

ESCAPANDO DO JUÍZO CERTO (8)




         “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” (Atos 3:19).
         Caro leitor tendo procurado mostrar a necessidade real de arrependimento; que é urgente o retorno desse tema em nossos dias, em face da apostasia tão reinante, preciso agora mostrar o que envolve o arrependimento. Quando o arrependimento vem ao coração, certamente esses detalhes aparecem juntos. O homem arrependido vê inteiramente sua ruína; sabe que a construção de sua vida caiu por terra diante da verdade a respeito da sua transgressão. O homem arrependido vê que seu passado foi uma fumaça de vaidade e que não passava de um escravo, aprisionado neste mundo, sendo empurrado para as trevas exteriores, sem, contudo perceber esses perigos eternais.
         Então, arrependimento envolve o reconhecimento de sua queda em Adão (Romanos 5:21). Enquanto estão envolvidos em densas trevas, os homens vivem hipnotizados pelo pecado. Satanás envolve os homens com estórias cheias de fantasias e mentiras. Eles não percebem onde tudo começou. Satanás faz com que a história da raça fique oculta num passado extremamente emaranhado; ele oculta toda verdade e usa os homens para que inventem absurdos a respeito da origem dos homens. Mas, a verdade da queda está bem marcada em nossos corpos de humilhação, porquanto a morte explica tudo; há igualdade em todos os homens no que diz respeito ao seu final.
         No arrependimento toda essa verdade vem à tona; a luz brilha sobre seu caminho errado pelo qual pisou. No arrependimento o homem vê de quem era filho (João 8:44); que nada tinha de ligação com Deus; que o pai da mentira lhe enganava e disfarçado dava a impressão que era o melhor ser existente. O arrependido vê sua tremenda culpa ao contemplar tantas ofensas cometidas; vê sua inutilidade em todas as obras, porque elas eram prejudiciais, não somente a si mesmo, como também ao seu próximo. O arrependido não busca tesouro de bênçãos em seus caminhos traçados no pecado; ele não procura água limpa de fonte impura, porque sabe bem que nasceu no pecado e do pecado não procede o bem.
         Ó quanto o arrependido deseja desviar-se de tudo isso! Ele não quer inventar coisas; não quer discutir, nem arrumar desculpas. Uma alma arrependida é um barro seco perante o Oleiro; Deus há de tomá-los para fazer do terreno uma criação do céu; a ligação com o velho Adão precisa ser removida e doravante estará ligado para sempre ao perfeito segundo Adão – Cristo Jesus.
         Também, o arrependido sabe que o percurso pelo qual andou foi de transgressão à lei de Deus. Ora, quantos querem remover a importância da lei na pregação! Conforme Spurgeon, a lei funciona como agulha, enquanto o evangelho vem atrás como linha. A lei sem o evangelho só causa dor e nada mais, mas a lei serve de grande ajuda para conduzir os pecadores aos pés desse Salvador, porque a lei mostra os grandes feitos do pecador contra Deus. Paulo usa o termo “ofensa”, para mostrar quão horrível foi o caminho traçado pelos homens no pecado. Cada palavra e atos eram como bofetadas na face do Senhor. A alma arrependida nada vê de justiça em seu viver e sabe que atos de bondade fora da justiça não passam de abominação. Todo esse vestígio de trapo de imundície (Isaías 64:6) é lançado fora, a fim de apoderar-se das maravilhas dessa tão grande salvação em Cristo.
         Ó caro leitor, será que sua alma ficou fascinada por essa verdade tão repudiada pela multidão? Os que já são salvos deleitam-se no Senhor! Têm prazer nessas verdades que tanto humilharam o velho homem e fê-lo morrer! Os santos celebram a graça salvadora e cantam louvores ao Rei dos reis! Os salvos habitam na luz e ali juntamente confessam essas verdades!
         Também, pecadores buscam esse Salvador; procuram a verdade como mais precioso tesouro! Por essa razão é que levo até à mesa e ali coloco essa comida à disposição para os famintos!





COMO DEUS PERSEGUE SEUS INIMIGOS (7)




“Mas com inundação transbordante, acabará de uma vez com o lugar desta cidade; com trevas perseguirá o Senhor os Seus inimigos” (Naum 1:8).
         Caro leitor convido-lhe a examinar com mais profundidade essa incrível e reveladora frase vista em Naum 1:8: “...com trevas perseguirá o Senhor os Seus inimigos. Não esqueça que o pequeno livro trata-se da investida do Senhor contra a cidade de Nínive, destruindo em Sua ira aquele povo rebelde e perverso e apagando os assírios da face da terra. O livro de Naum foi inspirado a fim de mostrar aos homens em todos os tempos, especialmente nesta atual geração, que Deus, o Deus da revelação bíblica odeia o pecado; que homens e mulheres que ainda vivem na prática da iniquidade estão debaixo da Sua Ira; e que Ele persegue com trevas esses inimigos.
         Já pude mostrar a vocês que aprisionados nas trevas os pecadores estão deitados num gostoso colchão do bem-estar. Cercados de trevas homens e mulheres peregrinam neste mundo sem consciência dos perigos eternos que rondam suas almas. Nas trevas há uma enganosa felicidade achada nos prazeres. No mundo satanás mantém as almas entretidas em seus prazeres carnais; aprisionados nas trevas o viver só tem sentido quando homens e mulheres podem satisfazer seus interesses mundanos, transitórios e carnais. Segundo o livro de Eclesiastes os melhores homens deste mundo vivem à luz daquilo que experimentam “debaixo do sol”; não veem outra luz e toda sua esperança está na incerteza de um futuro mundano melhor.
         Aprisionados nas trevas o valor da vida consiste em ter bens, prazeres e gozar desta vida o máximo que puder. Nas trevas os inimigos de Deus falam de Deus, mas desconhecem o verdadeiro Deus da revelação bíblica. Para eles cada dia representa mais uma oportunidade de vigorar suas paixões e aumentar suas rendas para um futuro melhor aqui. Nas trevas eles desconhecem o juízo, porque as fatalidades, como morte, acidentes, enfermidades, maldades, perdas, etc. são acontecimentos fortuitos. A morte é o ponto final para os que estão presos nas trevas, porque desconhecem a revelação bíblica. Eles seguem o percurso mundano que começa no nascimento e termina na sepultura.
         Digo mais que nas trevas os inimigos do Senhor não gostam de ser molestados pela luz: “...A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más” (João 3:19). Não tem algo mais odiado pelos inimigos do Senhor do que a chegada da luz do evangelho da revelação bíblica. Aprisionados nas trevas eles agem como pernilongos na escuridão. Assim que brilha a luz eles fogem. É fato que nas trevas eles querem ouvir de Deus e pedir bênçãos dos altos, mas em nada toleram daquilo que mexe com suas consciências culpadas e odeiam as informações bíblicas acerca do juízo.
         Não foi assim com o governador Felix? Assentou-se para ouvir Paulo, mas quando o apóstolo começou a discorrer acerca da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro, a luz da verdade penetrou em seu coração para descobrir que por trás daquela fachada pomposa estava um homem carregado de maldades e iniquidades praticadas debaixo da autoridade que tinha como governador. Imediatamente o medo e terror ocuparam o lugar da diplomacia e da humildade, fazendo-o fugir imediatamente (Atos 24:25).
         Tenho presenciado em meu ministério milhares de pessoas fugindo da luz do evangelho. Até mesmo pessoas que pensavam que eram convertidas, mas estavam iludidas no íntimo. A luz que receberam foram algumas tochas acesas por homens e não a luz da glória de Cristo que vem para desbravar o coração e aniquilar toda justiça própria e falsa paz.
         Talvez tenha algum leitor que humildemente tem chegado perto da luz; tem sido atraído pelo fulgor da verdade que liberta, porque tem se humilhado perante o Deus da revelação bíblica. Que maravilha! São essas almas que estão sendo visitadas pelas misericórdias do Senhor! Elas foram feridas no ego e prostraram perante a verdade da cruz! Elas foram achadas pelo Salvador e Senhor!

          

“SÊ, POIS, ZELOSO E ARREPENDE-TE” (2 de 19)




“Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te”Apocalipse 3:19)   
         INTRODUÇÃO (continuação):
         Caro leitor, na primeira lição procurei mostrar o que o Senhor – o grande AMÉM fala com a igreja de Laodicéia. Ele afirma que conhece as suas obras e que essas obras provam que não são salvos; que a fé não é de ouro celestial; que não há fruto de arrependimento. Ó, quantos falsos crentes têm invadido a igreja de Deus em nossos dias! Ó, quantos joios têm crescido no meio do trigo! Ó, quanta necessidade há de pregar o arrependimento e conversão dentro das igrejas em nossos dias! Mas, prossigo mostrando na introdução a maneira como o Senhor comunica-se com Laodicéia.
         3.      O Senhor mostra o estado de orgulho espiritual: “Estou rico e abastado”. É exatamente isso o que acontece quando homens e mulheres estão religiosamente satisfeitos. Satanás chega bem disfarçado de anjo de luz, a fim de conceder-lhes falsa paz. Quando homens e mulheres desconhecem o novo nascimento, seus corações ficam hipnotizados pelas doutrinas; elas chegam para engordar o cérebro e fartar a alma de orgulho. Quando homens e mulheres desconhecem em suas vidas o temor do Senhor, o real significado da depravação total em suas próprias vidas, as doutrinas vitais da graça são abraçados com orgulho e ficam envaidecidos pelo grande conhecimento da cultura bíblica. As doutrinas da segurança eterna, da eleição, da predestinação, da filiação, etc. são adornos do Espírito Santo para a igreja, assim como as joias levadas pelo servo de Abraão foram destinadas à Rebeca (Gênesis 24).     Caro leitor, quando ímpios se adornam das joias eternais compradas por Cristo na cruz, essas joias da graça são manchadas pela iniquidade no viver, e isso se torna motivo de blasfêmias. Por essa razão vemos milhares contentes, enfeitados pelos falsos mestres com as belas doutrinas. Eles estão satisfeitos consigo mesmos; estão usufruindo a paz, não a que vem da cruz, mas a paz do pecado e a paz com o pecado. Por essa razão ficam furiosos quando ouvem a mensagem da cruz e estão prontos a escorraçar pastores sérios e leais à verdade. Não há paz pior do que a paz embutida num coração não santificado, por meio de falsos mestres.
         4.      O Senhor mostra que não pertencem a Deus: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo”. Veja caro leitor, como o Senhor deixa claramente explicada em poucas palavras a maneira como Ele lida com os salvos: “Eu repreendo e disciplino...”. Não fomos salvos para viver em “piquenique” neste mundo; não fomos salvos e soltos para viver conforme o mundo e a carne. Nossa salvação é completa, pois trata não apenas da penalidade, como também da nossa santidade diária e nos prepara para a glória que há de vir. O Espírito de Deus foi dado aos crentes, a fim de adornar os santos para o grande encontro com o Noivo amado. Fomos salvos a fim de sermos arrancados deste presente século perverso (Gálatas 1:4). Isso tudo envolve disciplina e disciplina. Vemos isso em Hebreus cap. 12, bem como em todas as cartas de Paulo, de Pedro e de João. O viver do crente está ligado a lutas e provações e muitos passam por veredas penosas na vida. Muitos são surpreendidos por dificuldades tais e somente a graça para fazê-los entender as razões de tudo, por isso podem volver a Deus em ações de graças.
         Ó caro leitor, o evangelho bíblico norteia os santos pelas veredas certas da graça. É importante que a disciplina de Deus sobre os crentes são provas de que eles pertencem ao Senhor, que foram comprados com sangue e são preciosidades da graça. A ausência de disciplina no viver, uma vida confortável de aliança com o mundo e com a iniquidade faz parte do coração mundano, mesmo que esteja sob o manto evangélico.
         A mensagem do evangelho chega aos corações com as palavras do Senhor dirigidas às almas enganadas e iludidas: “Sê pois zeloso e arrepende-te!”

SOBERANA SALVAÇÃO (44)




“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44).
         SEGURANÇA ETERNA: “... e eu o ressuscitarei no último dia”.
         Prezado amigo continuemos nossas considerações em 1Coríntios 15, porquanto é ali que a inspiração divina nos mostra como nossa esperança está naquilo que há de vir. Os olhos da fé podem vislumbrar um pouquinho da perfeição gloriosa que aguarda os salvos. Ora, a Palavra de Deus está cheia dessas santas contemplações eternas, das santas promessas que impulsionam os santos de Deus ao andar firme pelo caminho do dever, da santidade e do serviço ao Senhor.
         Já pudemos ver como em quatro palavras Paulo mostra a situação de nossos corpos atuais. Nosso corpo é corruptível, desonroso, fraco e natural. Não há como melhorar essa condição tão triste imposta pelo pecado e pela morte aqui. O peso do engano do pecado terrivelmente empurra nossas mentes e emoções a este sistema corrompido, a fim de que acreditemos que esta vida aqui é melhor.
         Mas a lição não para nesse sistema tão negativo e pesaroso, porquanto nosso Senhor veio e anulou todo poder destrutivo do pecado e da morte. Estamos do lado de cá, mas todo nosso pesar faz com que a fé contemple com grande expectativa as perfeições vindouras. Cercados dessas condições tão cruéis que atormentam a igreja de Deus neste mundo é que os olhos espirituais começam enxergar melhor as glórias que virão: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos”! (Salmo 116:15). Incrível! É algo inexplicável à mente mundana! É experiência oculta dos poderosos deste sistema vão! Quão pobre, medíocre e inútil é este mundo! A poderosa morte chega para desligar as luzes que satanás acende! Ela chega para silenciar todo esse burburinho e felicidade tão vazia!
         Caro leitor, dê uma olhada para a triunfante ressurreição! Veja bem, não é brincadeira! Não são meros enfeites teológicos! É a Palavra do Deus que não pode mentir! É o desvendamento do reino eterno preparado para os que amam o Senhor! Veja bem como a graça transbordou de tal maneira, que toda esperteza das trevas foi surpreendida na grande e triunfante conquista do Filho de Deus. Notemos bem a diferença como aparece em 1Coríntios 15:42-44:
         O corpo em estado de corrupção será transformado num corpo incorruptível: “...semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita-se na incorrupção”. Percebe-se como o pecado foi surpreendido em seu próprio território, porque aquilo que fora estragado é agora usado como semente: “...semeia-se...”. Nunca foi plano de o Senhor melhorar nossos corpos neste estado de podridão. Eles serão assim, sujeitos as terríveis enfermidades que assolam este mundo. Mesmo que passemos nosso viver aqui em perfeita saúde, mantendo nossos corpos sob vigilante cuidado, o tempo se encarrega de mostrar seus traços de velhice, anunciando que logo irá para seu lugar – para o pó.
         Veja caro leitor, o que virá na ressurreição! “...ressuscita-se na incorrupção”. É importante que saibamos que a nossa condição atual tão humilhante é para que saltemos daqui para a glória! É preciso descer para subir. Amigo, compare o que a salvação dá e dará ao pecador, com aquilo que o pecado nos proporcionou neste mundo. Compare e veja como tudo o que é de melhor que o mundo pode dar em relação aos nossos corpos não passa de lixo, quando comparado as maravilhas de um corpo incorruptível! Caro leitor, na ressurreição não haverá velhice! Na ressurreição todos os santos serão jovens! São os orvalhos da mocidade! (Salmo 110:3).
         E você caro leitor. Onde está sua esperança? Está neste mundo onde tudo é desfeito pela morte? Corra para a fonte de amor eterno! Corra em busca dessa tão grande salvação!