quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O PERIGO DA INCREDULIDADE (10 de 11)


“Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito” JOÃO 10:26
A RAZÃO DA INCREDULIDADE. “porque não sois das minhas ovelhas.”
        Tendo mostrado o que realmente significa a vil incredulidade, os sinceros crentes devem se humilhar perante a revelação bíblica, porque se chegamos a crer um dia e hoje cremos no coração, sabemos que essa disposição não veio de nós mesmos. No texto o Senhor deixou claro que para ser ovelha Dele tem que haver uma obra poderosa, feita pelo próprio poder da graça no coração. Como um incrédulo vil e transgressor pode chegar a crer no Deus da revelação bíblica? Isso não é algo natural, tem que ser Deus rasgando o coração, arrancando o coração de pedra e dando um novo coração. Foi essa a radiante promessa feita desde o Antigo Testamento pelo Deus que ali manifestou Sua graça.
        A seguir creio que preciso mostrar essa verdade, porque em João nosso Senhor deixa essa lição estampada perante a testa de ferro daqueles homens e mulheres. O próprio verso mostra isso: “...porque não sois das minhas ovelhas”. Será que enxergamos isso? Nessa declaração o Senhor expõe o braço forte da soberana graça em plena atuação, porque, o que Ele faz é tornar as feras do pecado em mansas ovelhas que Lhe seguem e que são apascentadas e protegidas por Ele. As lições que Ele traz a partir do verso 27 é de encher nossos olhos espirituais, mas não é meu propósito tratar dessas verdades aqui. Focalizarei no tema sobre o perigo da incredulidade.
        Notemos no próprio texto o quanto o Senhor enfatiza isso, pois afirma que os que creem Nele são rebanhos tirados dentre os judeus e os gentios, formando um só rebanho que tem um só pastor. Essa foi sempre a graciosa promessa que brilhou nos escritos proféticos do Velho Testamento e Paulo corrobora essa verdade em Romanos 9. O Senhor também deixa essa verdade ainda mais esclarecida em João 17:2, quando em Sua oração sacerdotal Ele diz ao Pai: “Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste”. Veja nas palavras do Senhor que Ele recebe poder do Pai (ou autoridade), a fim de dar vida eterna.
        Como alguém poderá crer em Jesus se não receber vida? Como um coração incrédulo poderá mirar Jesus como Senhor e Salvador, com a disposição de confessar, crer de todo coração e com a disposição de segui-Lo? Essas coisas não acontecem naturalmente. Como um coração empedernido crerá no Salvador? Como homens e mulheres amantes do pecado terão essa disposição de se humilhar perante o Senhor da glória. A incredulidade vil faz o homem marchar de forma arrogante neste mundo. A incredulidade vil é capaz de se ajoelhar perante qualquer coisa que seja foco de suas ambições idólatras. Diante do Senhor da glória o pescoço fica duro, os olhos faiscantes de ódio, os joelhos enrijecidos, a língua muda e todo ser armado contra o Senhor.
        Não há como mudar o coração duro. Por fora poderá parecer crente; poderá se tornar membro de um clube religioso; poderá ter a bíblia e até se sentir envaidecido por uma suposta certeza de salvação. Mas não pertence ao Senhor, não é Sua ovelha. Então a atitude será de enfrentar o Senhor. Poderá dizer que não, mas o fará sim diante dos pregadores fieis, assim como os judeus rebelavam e assassinavam os profetas; assim como fizeram com os apóstolos e outros na história. Crer em Jesus é milagre; mostrar perante o mundo que foi chamado por Deus para receber vida, seguir a Cristo e caminhar rumo ao céu é milagre. E isso é tão verdadeiro que o próprio mundo fica pasmado e passa a perseguir tal pessoa.
        Meu desejo é que agora mesmo almas sejam despertadas para essa fé em Cristo Jesus o Salvador e Senhor, a fim de serem salvas para sempre.

SALVOS PARA AS BOAS OBRAS (4)



“Pois somos feitura Dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Efésios  2:10)
O POVO DE DEUS – OBRA DA GRAÇA: “Pois somos feitura   dele...”
        Prossigo mostrando a diferença do que o pecado produziu na primeira criação. O mundo é a mais alta expressão do que o pecado produziu; o mundo é o céu do pecado; é o paraíso buscado aqui e os corações são tomados de amor por esse sistema passageiro, mas admirado por todos. Eis aí o mundo em Adão! Eis a fantástica obra feita pelo pecado como resultado da queda. Podemos dizer que o mundo é a feitura do pecado, criado em Adão para as obras pervertidas. O que podemos esperar deste mundo? Por mais que este sistema evolui e pareça mais atraente e sábio, mais mostrará o quão forte e resistente será contra Deus e apto para o juízo. Deus não tem qualquer plano de melhorar este projeto caínico; mesmo que um dilúvio não venha para sepultar esta organização ímpia e perversa, o fogo destruidor da ira de Deus se aproxima, e o que ocorreu com Sodoma e Gomorra é o exemplo deixado.
        Cuidemos com as habilidades e espertezas de satanás em pintar o mundo com cores religiosas e é o que ele tem feito muito bem em nossos dias. Sua arma religiosa mais poderosa que existe é chamada de ecumenismo. Satanás, o deus deste mundo não quer perder este mundo. Suas joias, tesouros, riquezas e milhões de homens e mulheres que lhe admiram e prestam serviço e adoração a ele estão neste mundo. Quanto mais os dias finais se aproximam mais belo, atraente e cheio de sonhos ele consegue fazer deste mundo. Suas mentiras são percebidas em toda parte, mas são recebidas como se fossem verdades. Suas intenções perversas e criminosas são normalmente encobertas com boas intenções e com novas fórmulas de religiões que aparecem no cenário mundial. As multidões gostam dessas novidades e gastam seus bens para que o mundo vil se torne ainda mais adequado para eles. Quanto mais cheio de paz e sentimentos de segurança ele puder implantar nos corações, melhor será para que o mundo fique ainda mais admiravelmente dele.
        Porém, não é isso o que vemos na nova criação, porque os salvos são chamados de “feitura dele”. A palavra “feitura” é o mesmo termo de onde veio nosso vocábulo “poema”. Enquanto o mundo é o poema do diabo, os santos salvos por Cristo constituem o poema de Deus. Eis a diferença entre os feitos do pecado e os feitos da graça graciosa. Realmente, os poemas de Deus pegaram satanás de surpresa, porque a entrada do pecado parecia que era a completa derrota do altíssimo. Satanás não contava com esses feitos, porque após a queda Deus passou a exibir as desconhecidas obras da Sua graça, pois providenciou num animal morto o resgate para o pecado: “O Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Homens que passaram a invocar o nome do Senhor naqueles dias, surgiram como se Deus estivesse dizendo: “Haja luz!”.
        Ora, quem pode contra a graça? Ninguém! Naqueles dias, a fé de Abel fez tremer o reino de trevas; a graça achando o justo Noé fez com que a misericórdia vencesse o juízo e a subida de Enoque para o céu, fez abalar o inferno. Deus, em toda história fez a exposição dos seus poemas neste mundo. Os salvos sempre foram a “vitrine” de Deus no mundo. Eles foram fracos, cheios de defeitos e pecaminosos, mas os poemas de Deus são vistos na fé: “Pela fé Abel, Noé, Enoque, Abraão, Jacó...”. Não é exatamente isso? E agora o que desponta? Neste mundo moderno, religioso e atraente aos olhos e à carne o que predomina é aquilo que todos gostam e é admirável à natureza. Mas olhem para os poemas de Deus, porque o que admira a Deu é o fato que eles vivem pela fé.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

SALVOS PARA AS BOAS OBRAS (3)


                               
“Pois somos feitura Dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Efésios  2:10)
O POVO DE DEUS – OBRA DA GRAÇA: “Pois somos feitura   dele...”
        Creio que a introdução pode servir como janela, levando luz ao entendimento de um assunto tão maravilhoso e vasto. Impressionante como é profunda a palavra de Deus, especialmente em Seus ensinos sobre os atos da encantadora graça. Logo de início o texto nos leva à uma linguagem diferente no que tange às doutrinas da salvação. Normalmente a bíblia nos fala do novo nascimento, do modo como Deus faz nascer do velho homem uma nova criação.
        Lembremos bem que nas obras de Deus tudo é feito por milagre e esse milagre aparece no fato que Deus criou um povo. A bíblia faz diferença entre a primeira criação e a segunda. Na primeira Deus usou Sua palavra e fez surgir do nada as coisas que vemos no céu e na terra. Em Gênesis 1 vemos: “No princípio criou Deus...” e o termo “criou” é a palavra “bara”, termo que no hebraico significa “criar do nada”, e essa palavra só é aplicada a Deus, porque só Ele pode fazer surgir do nada as coisas existentes. Incrível, mas a primeira criação foi assim, vista e aplaudida pelos anjos.
        Na segunda criação vemos o majestoso trabalho criador da graça no meio dos homens. Na primeira criação tudo, céus, terra, homens, animais foram criados. Na segunda criação, trabalho majestoso da graça, o trabalho Dele é somente entre os homens. Na primeira criação a raça apareceu em Adão. Quando Deus ergueu o homem do pó da terra, estava erguendo ali bilhões e bilhões de pessoas naquele ser feito por Ele. Agora, na graça, a nova criação é feita em Cristo: “...criados em Cristo Jesus...”. Significa que em Jesus está toda raça dos remidos. Fantástico trabalho: “...se alguém está em Cristo é nova criação...” (2 Coríntios 5:17).
        Essa é a lição que nosso Senhor nos transmite em João 5, de uma forma mais expandida. Ele cura um paralítico em Betesta e depois disso enfrenta a multidão de religiosos judeus que passam a contestar a cura, por ter sido feita no sábado. Mas nosso Senhor, em rápidas palavras mostra o que quer dizer Efésios 2:10. O Senhor diz: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também”. Então, voltando ao texto em pauta, posso assegurar que a obra da nova criação é Deus chamando homens e mulheres que não existem. O que? Não existem? Sim! Talvez essa declaração tenha causado surpresa para você, mas tal verdade é claramente mostrada por Paulo em Romanos 4:17, falando a respeito da fé de nosso pai Abraão: “...perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem. Pode entender isso?
        Vamos ilustrar essa obra criadora na primeira criação. Quando Deus chamou as nuvens no céu, não tinha nada, mas as nuvens apareceram, como se já existissem. Imagine você querendo criar algo do nada. Não tem como, porque não podemos nem sequer imaginar algo inexistente. Tudo o que criamos aqui na terra é feito de algo já existente. Um novo modelo de carro surge, como foi que aconteceu? A fábrica adquiriu a matéria prima em todos os detalhes, a fim de fabricar tudo o que precisava para a formação do carro que entrará no mercado. Mas não é assim com Deus, pois Ele está fazendo a nova criação em Cristo e essas pessoas que hão de surgir, incrivelmente não existem. Mas você diz: “pastor, como não? Ali está o Antônio que se torna um crente em Cristo. Ele não existia?” Ora, se o Antônio é agora nova criação, é porque aos olhos de Deus ele não existia. Existia sim o velho Antônio, caído em Adão, condenado e morto. Minha esperança é poder dinamizar esse assunto um pouco mais na próxima aula.

O PERIGO DA INCREDULIDADE (9)



“Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito” JOÃO 10:26
A TERRIVEL INCREDULIDADE: “Mas vós não credes...”
        A vil incredulidade vil prefere escorregar-se na lama do pecado e receber o salário ilusório. A fé olha para o invisível, a incredulidade encara o que visível. O mundo para o coração incrédulo é seu lugar de atração; ele não tem um coração focado nas realidades eternas, mesmo aquele que frequentou uma igreja, foi de uma família crente ou mesmo aprendeu muito das doutrinas bíblicas. Nada disso move um coração incrédulo para Deus. Às vezes conhecimentos e práticas religiosas funcionam como processo de maior endurecimento. Muitas vezes olhamos as pessoas porque são pobres, simples e aparentemente religiosas, mas Deus não vê as coisas assim. Sem dúvida na sinagoga em Nazaré havia muitas famílias aparentemente piedosas, mas todas se ergueram com ferocidade contra Jesus, assim que Ele abriu o rolo e explicou a verdade (Lucas 4)
        O coração endurecido não tem porta nem janela. Ali é um lugar de plena escuridão e está pronto para canalizar suas maldades para a boca. A incredulidade é resoluta em prosseguir sua jornada mundana e ímpia. Ela poderá até buscar recursos religiosos, como oração, versos bíblicos e apoio de líderes religiosos, mas ela tomará tudo isso para firmar os pés na busca por obter seus anseios aqui mesmo. A incredulidade tem olhos, mas não veem a glória de Deus; sua boca transborda das vaidades da vida terrena; sua boca silencia quando trata e não pode mexer muito, tentando perfurar o coração com palavras, porque a incredulidade sente dores fortes e pode se levantar para o ataque, ou mesmo para a fuga.
        Também, a incredulidade é completamente surda para ouvir o chamado do Senhor. Ela pode ouvir as batidas de advertências, mas não a voz graciosa do Salvador a chamar à salvação. Há um silêncio mortal num homem incrédulo. Ele crê em Deus, mas não crê naquele que foi enviado por Deus para ser o Salvador. Ele crê num criador, devido as evidências expostas perante seus olhos, mas não pode conceber a ideia de um Deus conosco, presente e pronto para agir em salvar. A incredulidade pode ter evidentes provas de salvação em sua família, mas essas luzes acesas ficam expostas do lado de fora do coração e não fará qualquer diferença. Às vezes a incredulidade parece acordar para a situação, mas não significa que houve um despertamento de Deus. Foi algo temporário, assim como um besouro que fica rodeando em torno de uma lâmpada acesa e logo morre.
        Acontece é que a incredulidade está marcada para jamais poder crer: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas”. Nosso Senhor mostra ali que Ele nada espera da incredulidade, porque é uma situação permanente: “...não credes porque não sois...”. É como explicar que um leão não come ervas porque não é ovelha. O Senhor não está esperando que aqueles judeus façam uma decisão para Ele; que abram a porta para Ele entrar. A incredulidade não pode mudar-se em credulidade; um coração de pedra não pode ser derretido ante quaisquer evidências de bondade, sinais e maravilhas. Se não houver um milagre, a vil incredulidade permanecerá como ela é até a morte e depois da morte.
        Esperar que a incredulidade tem poder na vontade em voltar para Deus é uma espera inútil. Quando oramos por um incrédulo, não esperamos uma decisão dele, mas sim uma decisão de Deus. Ele é o Deus que ressuscita mortos, portanto, não tem algo mais marcante do que esse milagre de tirar o coração de pedra e por um coração que teme a Deus. É assim que Deus opera em Suas ovelhas. Ele faz com que o leão passe a ter atitude de ovelha. Será que não ficamos impressionados com isso? Pois os anjos ficam e fazem festa!

Pregação - Uma ovelha sustentada parte final - Pr. David Sena