terça-feira, 14 de janeiro de 2020

QUEREIS TAMBÉM RETIRAR-VOS? (1)




“Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o santo de Deus” (JOÃO 6:67-69)
        INTRODUÇÃO:      
        Caro leitor, não podemos ignorar essas palavras que saíram da boca de Pedro no final dessa mensagem dada por Cristo aos judeus. O capítulo inteiro está recheado de tantos ensinos preciosos da graça soberana e o Senhor não procurou encher o ambiente de ilustrações, como Ele fez no Antigo Testamento. Quem lê os escritos dos profetas pode perceber que Deus sempre usa de ilustrações em Suas palavras dirigidas ao Seu povo. Mas não vemos isso neste capítulo. O Senhor estava cercado de judeus, os quais estavam à procura de “bênçãos materiais”, como o mundo sempre busca. Nosso Senhor havia multiplicados os pães, e eles O procuraram a fim de fazer Dele o Rei de Israel.
        Por fora pareciam homens religiosos, santos e tementes a Deus, mas por dentro mostravam que não passavam de mundanos, rebeldes, assassinos e supersticiosos. Eram eles surdos, mudos e paralíticos; estavam mortos em seus pecados; eles entendiam qualquer lição relacionada às questões religiosas deste mundo, mas eram tapados em reconhecer a linguagem santa e eterna proveniente da boca do Senhor. O Senhor havia dito a eles que as Palavras proferidas eram espírito e vida, mas eles não as entendiam. Eles compreendiam as letras do ponto de vista mundano. Como compreender a linguagem: “Comer minha carne e beber o meu sangue?” Aquilo era loucura para aquele povo, cujo coração estava endurecido. Nosso Senhor não mudou Sua linguagem; não procurou usar de ilustrações, nem parábolas. Por essa razão eles fugiram, ficaram escandalizados com as palavras do Senhor.
        Mas o Filho de Deus não mudou sua mensagem para mantê-los perto. Nosso Senhor não queria agradar os homens; não correu para trazê-los de volta. As mensagens ilustradas do Velho Testamento não fizeram com que eles voltassem para Deus, como o faria agora? O Senhor estava diante de um povo sem vida; em seus corações reinava o pecado e por fora estava satanás lhes guiando pelas mentiras religiosas. Nosso Senhor mostrou a eles que veio ao mundo para fazer a vontade do Pai que lhe havia enviado e não a vontade deles. Além disso, nosso Senhor ressalta bem em todo capítulo que a salvação é obra de Deus, porque ninguém é salvo, a não ser que Deus realize essa obra.
        Notemos bem que todos saíram; não queriam ouvir aquela mensagem, por isso voltou para seus discípulo com a interrogação: “Quereis também retirar-vos?” Assim, as palavras do Senhor vêm mostrar um Deus soberano que age por misericórdia. Ele não tinha uma linguagem que agradaria os homens; a multidão ouviria da condição na qual o pecado lhes colocou. Ele não falaria de política, de dinheiro, de saúde e outros assuntos terrenos. Sua linguagem era espiritual e eterna. É óbvio que os judeus e o mundo rejeitariam a mensagem, assim como rejeita hoje. A resposta de Pedro como porta-voz dos outros mostra que é só pela graça de Deus: “Para onde iremos nós?”.
        E você meu amigo, quer ouvir a mensagem da verdade ou vai querer retirar também? Conheci muitos que ouviram e parecia que queriam ouvir mais. Mas assim que a mensagem começou a tocar em seus corações e mexer com o orgulho, então abandonaram.

NÃO VERÁ A VIDA (4)


                  
“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que porém permanece rebelde contra o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele” (JOÃO 3:36)
MOSTRA A CONDIÇÃO NA QUAL ESTÃO OS HOMENS NO PECADO.
        Tomemos a vida de Saulo de Tarso, porque sabemos o quanto era um homem incrivelmente sério e zeloso em sua religião. Não era ele um hipócrita, porque cria que tudo o que fazia estava certo; que todo seu esforço redundaria numa ressurreição final e que um dia iria morar no Paraíso celestial com Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, etc. Paulo era um morto espiritual; a luz da verdade revelada não havia entrado em seu coração e tudo que recebera não passava de mentiras e para aquelas mentiras ele havia se dedicado e consagrado, assim como acontece com os mulçumanos. Dentro do seu coração Saulo nutria um tremendo ódio contra o Senhor e respirava nele um sangrento desejo de ver mortos os seguidores desse Nazareno.
        Tenho passado essas coisas, a fim de mostrar o que significa o que o texto diz: “Não verá a vida...”. Nós estamos acostumados a olhar o homem e ver boas qualidades nele; observamos cuidadosamente boas coisas que achamos que podem leva-lo a Deus. Mas, que valor tem um morto? Será que entendemos que o pecado trouxe a morte? Será que entendemos que não há qualquer sinal de vida no homem? No que tange a vida aqui ele tem, mas quando se trata de coisas eternas ele está morto. Sendo assim devemos entender que a existência do homem no pecado é completamente sem valor para Deus. Pode ser os grandes como Herodes, Pilatos, Félix ou Faraó. Não passam de mera fumaça que aparece agora e logo se dissipa. Pode ser os ricos, os cultos, os fortes e grandes nomes que surgem na religião mundana. Não passam de meros cadáveres inúteis para Deus.
        Mas você pode retrucar, dizendo que morte, conforme o texto, não significa morte, mas sim num estado como se estivesse sem vida. Ora, para que Deus usaria o termo morto? Além disso, por causa desse termo é que Deus usa a palavra “ressurreição”, a fim de dizer que Ele nos deu vida. Se tirarmos a palavra “vida” ou “morte” do seu significado literal, teremos que dizer que Jesus não morreu na cruz; que Ele estava semimorto e que a ressurreição era realmente uma mentira. Fujamos desse perigo! Para nós os homens estão vivos, porque podem falar, caminhar, trabalhar, pensar, sentir e tomar suas decisões neste mundo. Mas isso é o que vemos. Porém, quando se trata de coisas espirituais eles estão mortos, são defuntos andantes; estão surdos, mudos, paralisados, com a mente e emoções em trevas. Notemos que quando trata-se de coisas desta vida eles estão bem vivos, mas quando se trata de Deus, da glória de Deus e de coisas eternas, eles ficam em absoluto silêncio ou procuram sair.
        O Senhor e seus apóstolos jamais mudaram a mensagem. É verdade que eles lidaram com os homens como seres vivos, responsáveis perante Deus. Quando Deus lida com os homens é sempre assim, pois Ele os convoca a entender que a culpa do pecado é deles; que é insana a vida que eles levam em suas idolatrias e práticas perversas. Deus lida com os homens no fato que eles vão enfrentar o juízo, que terão de prestar contas perante o grande Juiz e que no final o juízo de Deus será um juízo justo e santo. Devido ao pecado os homens estão mortos e carecem de uma intervenção vivificadora de Deus, assim como Lázaro precisou para voltar à vida. Mas os homens, como seres responsáveis são chamados à responsabilidade deles. Eles são culpados pelos seus pecados, por não darem a Deus a glória que lhe é devida; por usar da criação e ainda viver em suas maldades.
        O evangelho convoca os homens ao arrependimento, porque quando os homens se arrependem é sinal que eles estão no lugar certo, onde Deus usará ou não de compaixão para com eles.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

NÃO VERÁ A VIDA (3)


                                             
“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que porém permanece rebelde contra o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele” (JOÃO 3:36)
MOSTRA A CONDIÇÃO NA QUAL ESTÃO OS HOMENS NO PECADO.
         Avancemos um pouco mais no exame do termo “vida”. Lembremos bem que a vida que recebemos de nossos pais nada tem de valor para Deus, pois com a queda fomos postos como condenados perante Ele. Além disso, a bíblia deixa claro que o homem natural está completamente distante e alheio à vida que há no Filho. Não importa a condição de vida aqui; pode ser um famoso Herodes, um poderoso Faraó ou o mais simples lavrador, todos estão na mesma condição. Digo mais que até o mais religioso da face da terra, sendo considerado por todos como alguém santo e digno do céu, não passa de um homem natural bem emplumado como uma ave, sem qualquer discernimento das verdades eternas. Vida natural é completamente oposta à vida espiritual. A existência da primeira está condicionada apenas à este mundo, enquanto a existência da outra é para sempre – eterna.
         Examinemos essa verdade, vendo a vida do religioso Nicodemos. Quando ele foi ter de noite com Jesus (João 3), certamente ele pensava que estava certo, que sua religião era a verdadeira e que era um mestre no conhecimento das coisas de Deus. Porém aquele homem foi surpreendido pelas palavras do Senhor: “Necessário vos é nascer de novo”. Notemos que Jesus colocou Nicodemos juntamente com todos em Israel e em sua religião dos fariseus: “...vos é...”. Nicodemos pensava que tudo estava bem entre ele e Deus, mas foi surpreendido com uma linguagem que ele jamais ouvira; até aquele dia ele ouviu apenas sobre as letras da lei e jamais conhecera o espírito da lei. Nicodemos não passava de um homem natural, nascido de Adão, sem qualquer ligação com a fé de Abraão de outros homens de Deus.
         É essa a condição de todos os homens, não importa a raça, a cor, a religião, os pais, etc. todos nasceram no pecado e essa vida nada tem de valor para Deus. Sem a vida que há no Filho, quem é o pobre ser humano? Não passa de um peregrino, sem pátria aqui e sem lugar no céu, marcado para ser atirado no abismo eterno. Como podemos nós mudar essa situação? Tem alguma esperança de que as coisas melhorem para os homens aqui? Claro que não! Podemos nós chegar ao cemitério e chamar os mortos à existência? Olhemos tudo na visão bíblica e vejamos como o pecado trouxe a morte em todos os aspectos.
         Outrossim, olhemos os homens no pecado, em suas vidas como naturalmente vivem. Não é verdade que eles são contentes na vida natural? Eles veem a vida aqui como a coisa mais bela e charmosa; o mundo para a vida natural é encantadora e cheia de atração, porque é a vida natural. Fale do céu para o homem natural; fale das glórias eternas, do fato que lá não há dor, nem morte e que lá é o verdadeiro Paraíso. O homem natural ignora tudo isso, porque soa estranho aos seus ouvidos. Para o homem natural a vida aqui é melhor, porque tudo é visto à luz daquilo que eles veem e ouvem. Para eles a esperança está aqui e até as dores, morte, lutas, maldades e acontecimentos trágicos fazem parte desta vida natural.
         Tentar fazer da vida natural uma vida espiritual é tão inútil quanto fazer um animal ser participante da vida humana. A condição do homem perante Deus é de morto. Ora, não estamos lidando com esta ou aquela religião; não estamos tratando aqui de coisas inventadas por homens religiosos. A linguagem de João 3:36 é do próprio Deus: “...não verá a vida...”. É uma terrível sentença de morte eterna que paira sobre a cabeça de homens e mulheres que permanecem impenitentes em seus pecados. É como se Jesus entrasse no cemitério e dissesse: “Vou chamar Lázaro, mas aquele que está noutro sepulcro não”. Deus dá a sentença eterna aos pecadores e isso é algo que deve nos aterrorizar, porque muitos que aqui vivem, jamais verão a vida.

AS ARMADILHAS DO PECADO ( 12 de 12)



“Portanto, eu os julgarei, cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Convertam-se e afastem-se de todas as suas transgressões, para que a iniquidade não lhes sirva de tropeço” (Ezequiel 18:30)
A GRANDE DESCOBERTA
        Oh! Quão terrível é a armadilha do pecado! Israel nos dias de Ezequiel não viu, por isso foi levado para o cativeiro. No profundo poço do pecado os homens não conseguem ver o propósito da tão grande salvação; que Deus é o grande Salvador, cheio de misericórdia que se manifesta aos pecadores. O amor pelo pecado é tão terrível que os homens não percebem que perigos mortais e eternos rondam suas almas a todo instante, à semelhança do homem que com uma corda conseguiu alcançar os ovos de uma ave rara, num lugar alto. Assim que ficou perante os ovos e pronto para pegá-los, descobriu que havia soltado a corda e que ficaria preso naquele lugar, sem poder escapar da morte certa. Preocupado, percebeu que a corda que havia soltado estava voltando, e ele, num esforço incomum conseguiu escapar da morte.
        Conforme o Salmo 40 o Salmista percebeu que estava num profundo poço do pecado e que somente o Deus de amor poderia tirá-lo de lá. Pobres almas! Muitos lutam na vã tentativa de escapar desse buraco onde estão, mas todo esforço é inútil, é como mexer numa areia movediça, porque se afunda mais. O nosso Senhor, mesmo justo, perfeito, sem mácula, pode entender a condição do homem, pois voluntariamente veio e assumiu nossa miserável condição, a fim de levar nossas culpas e pecados sobre Si. Ele viu a miséria do pecado e até clamou ao Pai para livrá-Lo (Salmo 22). Somente o poder da graça compassiva pode mostrar aos homens a miséria, assim como Deus mostrou aos moradores de Nínive (Jonas 4) e eles puderam clamar ao misericordioso Deus de Israel.
        E você, meu amigo? Já pode perceber a realidade da queda? Será que ainda está vivendo nas alturas da soberba, sem imaginar que perigos eternos rondam sua alma? Será que está pronto a continuar transitando na escuridão, atraído pelas paixões e achando que nada há de errado? Será que, como Saulo de Tarso, está achando que é capaz de ser religioso por si mesmo e ainda encontrar o paraíso após a morte? Acha que pode fugir da verdade, pensando como Félix que haverá outra oportunidade? Acha que é poderosamente capaz de fazer aliança com a morte e com o inferno, sem perceber que poderá ser a próxima vítima? Por que não ouvir o Senhor? Por que brincar de surdo, achando que pode manipular Deus e passar despercebido nesta vida? Enquanto o homem brinca, eis que satanás se diverte em dominar a mente com seus truques religiosos. Tudo o esperto pai da mentira fará para que o pecado não seja visto como tragédia; tudo ele fará para que o mundo pareça melhor, mais belo e com a estrada para o inferno bem enfeitada e cheia de atrações.
        Como o Senhor se manifestou para Israel naqueles dias, da mesma forma ele se manifesta aos pecadores em todos os lugares e em todos os tempos: “Convertam-se e afastem-se de todas as suas transgressões, para que a iniquidade não lhes sirva de tropeço”. Essa mensagem aos homens jamais mudou, porque a condição dos homens é a mesma. Deus está chamando os pecadores ao arrependimento porque só Ele mesmo vê os perigos eternos que rondam as almas, como uma perigosa e venenosa serpente oculta; como um leão à espreita. É para fugir para Ele, porquanto Ele mesmo é o socorro e livramento para os que O buscam de todo coração. Ele mesmo afirma no texto que não tem prazer na morte do ímpio, pois Ele sabe o horror eterno que espera a alma impenitente. Eis agora o dia da salvação! Eis agora a oportunidade que é dada aos pecadores para que sejam salvos! Eis o Salvador bendito, Aquele que desceu do céu e veio à terra, a fim de dar-Se a Si mesmo, para livrar homens e mulheres do sofrimento merecido!