1. O indivíduo se
beneficia da Palavra, ao descobrir quais são as Exigências que Deus lhe impõe.
Esses são os Seus mandamentos inalteráveis, pois, Deus não
sofre sombra de variação. É grave e grande erro supormos que, nesta presente
Dispensação Deus rebaixou as Suas
exigências, porquanto, isso necessariamente implicaria em que Suas exigências
anteriores eram severas demais e injustas. Mas, não é assim! "Por
conseguinte, a Lei é santa; e o Mandamento, santo e justo e bom". (Romanos
7 :12). A súmula das exigências de Deus é a seguinte: "Amarás, pois, o
SENHOR teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força".
(Deuteronômio 6:5). E o Senhor Jesus reiterou esse conceito no trecho de Mateus
22:37. O apóstolo Paulo, por sua vez, reforçou o ponto, quando escreveu:
"Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema!". (I Coríntios 16:22).
1. O homem tira proveito da Palavra, quando descobre quão total
e pecaminosamente tem deixado de satisfazer às Exigências de Deus.
E apressamo-nos por salientar, para benefício de qualquer
pessoa, que ponha em dúvida a veracidade daquele último parágrafo, que ninguém
pode perceber quão profundamente pecador ele é, quão infinitamente aquém da
medida dos padrões de Deus vive ele, enquanto não houver recebido a clara
visão, das exaltadas exigências que Deus lhe impõe!
Na proporção exata em que os pregadores rebaixam os Padrões Divinos, sobre aquilo que o Senhor requer de
todos os seres humanos, nessa mesma proporção, os seus ouvintes obterão a ideia
inadequada e distorcida, de sua própria pecaminosidade, e menos perceberão eles
a necessidade que têm do Salvador Todo-poderoso. Porém, uma vez que uma alma realmente
perceba quais são as exigências que Deus lhe faz, e também chegue a perceber
que tem deixado completa e constantemente de fazer o que lhe compete, então é
que ela reconhece quão desesperadora é a situação em que se encontra. A Lei
precisa ser ressaltada, antes que alguém esteja pronto para ouvir com proveito
o evangelho.
3. Um homem se
beneficia da Palavra, quando ali aprende que Deus, em Sua infinita Graça,
providenciou plenamente para que Seu povo cumpra as Suas exigências.
Quanto a esse particular, igualmente, grande parte da
pregação de nossos dias envolve defeitos sérios. Atualmente se anuncia aquilo
que poderia ser chamado de "meio-evangelho", mas que, na realidade,
virtualmente, nega o Verdadeiro
Evangelho. Cristo é incluído, mas tão-somente como um contrapeso. Que Cristo
satisfez vicariamente a cada exigência que Deus impõe àqueles que creem é uma
bendita verdade; mas, isso é apenas metade da verdade.
O Senhor Jesus não apenas satisfez, em favor de Seu povo, os
requisitos da Justiça Divina, mas igualmente assegurou que Seus discípulos os
satisfariam pessoalmente. Cristo garantiu-nos o Espírito Santo, o qual opera em
nós, aquilo que o Redentor fez por nós. O grandioso e glorioso milagre da
salvação consiste do fato de que, os salvos são regenerados. Há um trabalho de transformação operado neles. Seu
entendimento é iluminado, seus corações são modificados e, sua vontade é
renovada. São feitos "Novas criaturas", conforme se aprende em II
Coríntios 5:17. Deus tece comentários sobre esse milagre da graça sob os
seguintes termos: "Nas suas mentes imprimirei as minhas Leis, também sobre
os seus corações as inscreverei; e Eu serei o Seu Deus, e eles serão o Meu
povo" (Hebreus 8:10).
A partir daí, o coração se inclina para a Lei de Deus: certa
disposição foi transmitida ao coração que corresponde
às exigências da Lei; há um desejo sincero de executá-la. Por essa razão,
também é que a alma vivificada pode dizer: "Ao meu coração me ocorre:
Buscai a Minha presença; buscarei, pois, SENHOR, a Tua presença" (Salmo
27:8).
Cristo não apenas prestou obediência perfeita à Lei, visando
à justificação de Seu povo que Nele confia, mas, também mereceu para eles,
aqueles suprimentos de Seu Santo Espírito, que são essenciais para a
santificação deles, e que é a única coisa que pode transformar criaturas
carnais, capacitando-as a prestar obediência aceitável a Deus. Embora Cristo
tenha morrido a seu tempo pelos "ímpios" (Romanos 5:6), e embora Ele
os ache ímpios (Romanos 4:5),
contudo, quando os justifica, não os abandona nesse estado abominável. Pelo
contrário, ensina-lhes com eficácia, pelo Seu Espírito, a negarem a impiedade e as paixões mundanas (Tito 2:12). Assim como
não se pode separar uma pedra de seu próprio peso, e nem o fogo ser separado de
seu calor, assim também não se pode separar a justificação da santificação.
Quando Deus realmente perdoa a um pecador, no tribunal de sua
consciência, e sob o senso daquela Graça admirável, o coração é purificado, a
vida é retificada, e o indivíduo inteiro é santificado. "... Cristo
Jesus... a Si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade, e
purificar para si mesmo um povo exclusivamente Seu, (não descuidado e
indiferente, mas,) zeloso de boas obras"
(Tito 2:14).
Tal como uma substância é inseparável de suas propriedades,
ou como as causas e seus efeitos necessários não se podem separar, assim
também, a fé Salvadora e a Obediência consciente a Deus, são inseparáveis. Por
isso mesmo é que lemos acerca da, "... Obediência por fé...", Romanos
16:26. O Senhor Jesus disse de certa feita: "Aquele que tem os Meus
Mandamentos e os guarda, esse é o que me ama...". (João 14:21).
Nem no Antigo Testamento, nem nos Evangelhos e nem nas
Epístolas, Deus reconhece que alguém O ama, exceto aqueles que observam as Suas
ordens. Pois, o amor inclui algo mais que meros sentimentos e emoções; antes, é
um princípio em ação, que se expressa em algo mais do que melosas expressões de
afeto, já que se manifesta por meio de atos que agradam ao objeto amado.
"Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus Mandamentos..."
(I João 5:3).
Oh, meu prezado amigo, você estará se enganando a si mesmo,
se pensa que ama a Deus, mas, no entanto, não tem o profundo desejo de obedecer
ao Senhor, e nem faz qualquer esforço real de andar obedientemente perante Ele!
Porém, do que consiste a obediência a Deus? Consiste em muito mais do que na
realização mecânica de certos deveres. Talvez eu tenha sido criado por pais
crentes, e sob a educação dada por eles, tenha adquirido certos hábitos morais;
no entanto, minha abstenção de não tomar o nome do Senhor em vão, e de não
furtar, pode não ser devido à minha obediência consciente ao terceiro e ao
oitavo mandamento. Pois, uma vez mais dizemos que, a obediência a Deus consiste
de muito mais do que nos amoldarmos à conduta normal de Seu povo.
Talvez eu esteja em um lar, onde o descanso semanal é
estritamente observado; e então, por motivo de respeito aos demais, ou então,
porque eu penso que é bom e sábio descansar nesse dia, talvez eu me refreie de
todo o labor desnecessário naquele dia; mas nem por isso estarei observando o
quarto mandamento, de modo algum! Pois, a obediência não consiste apenas da
sujeição a algum preceito externo, mas consiste em render eu, a minha vontade à
autoridade de outrem. Por conseguinte, a obediência a Deus depende do
reconhecimento, vindo do coração, de que Deus é o Senhor, de que Ele tem o
direito de determinar, e de que o meu
dever é anuir. Obedecer é sujeitar
totalmente a alma ao jugo bendito de Cristo. Aquela forma de obediência que Deus
requer, só pode proceder de um coração que O ama. "Tudo quanto fizerdes,
fazei-o de todo o coração, como para o Senhor, e não para homens...".
(Colossenses 3 :23).
A obediência que se origina do temor do castigo é uma
obediência servil. Aquela obediência prestada a fim de obter favores da parte
de Deus é egoísta e carnal. Mas, a obediência espiritual e aceitável, é
prestada com alegria: Trata-se da livre reação favorável do coração agradecido pela
consideração, e pelo amor desmerecido de Deus
por nós.
Nenhum comentário:
Postar um comentário