“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a
que for boa para edificação, conforme a necessidade, e assim, transmita graça
aos que ouvem” (Efésios 4:29)
Quando Paulo fala sobre o estado depravado da raça humana em
Romanos 3, à partir do verso 13 é, como que tirado um raio x espiritual do
homem do coração em direção à sua boca. É dito ali que “veneno de víbora está
nos seus lábios”. Isso significa que no pecado a língua do homem é a mais
perigosa arma que existe para destruir seu próximo e mostrar seu ódio a Deus. A
língua maldosa de Doegue, o edomita levou à morte a população inteira da cidade
sacerdotal de Nobe (1Samuel 22:9-19). Foi com sua língua mentirosa e ardilosa
que Jezabel fez o povo apedrejar o inocente Nabote, a fim de tomar-lhe a vinha
(1Reis 21:8-16).
Estas duas ilustrações bíblicas mostram o perigo do pecado
por meio de palavras perigosas. Dependendo das palavras que saem, a língua pode
ser mais violenta que um soco ou um tiro. A língua pode erguer ou humilhar
pessoas; pode unir ou destruir famílias; pode causar desavença ou provocar
divisão numa igreja. Enfim, não podemos medir o bem ou o mal que a língua pode
causar. Por isso que tanto vemos na Bíblia exortações quanto ao perigo do uso
errôneo de nosso linguajar. Especialmente em Efésios vemos como Paulo ocupa-se
com esse assunto.
Tomemos Efésios 04h29min para considerar a importância deste
tema, porquanto o apóstolo trata de vários costumes praticados outrora, que são
manifestados especialmente por meio da língua. Primeiramente, consideremos o
ensino do verso em pauta. O adjetivo traduzido por “torpe” significa
literalmente “podre”. Não toleramos nada podre. Se comprarmos uma carne que
começou a deteriorar-se, poderá causar males terríveis ao nosso organismo se
vier a ser ingerida. Algo podre, gangrenado, não presta, precisa ser jogado
fora. Abutres gostam de comer carniça. “Palavras podres” mostram o estado de
horror que está o coração do homem; revela que o homem em Adão está morto, em
decomposição. Com isso Paulo está realmente dizendo que dependendo do que sai
de nossas bocas, ou será para a edificação do próximo, ou será para a
destruição. Não tem meio termo. Com isso, quanto cuidado devemos ter com nossa
maneira de falar.
Podemos ver quão importante é esse assunto, visto que
vivemos em dias que sofremos muito, cercados como estamos pelo linguajar
virulento, maligno, malicioso e destruidor dos ímpios. Quantas vidas
destruídas, quantas lares divididos por causa da maldade proveniente de
corações não santificados pela graça. Num momento desses precisamos conhecer
como deve ser o procedimento nosso quanto ao uso da língua. Grande desafio
temos pela frente para que mudemos nossa atitude e cresçamos como novas
criaturas em Cristo (2Coríntios 5:17).
Amados, trouxemos da velha vida em Adão tantos maus
costumes. Muitos são claramente feios, por isso tratamos de extirpá-los
imediatamente para longe de nós. Mas muitos outros costumes pecaminosos ficam
atrelados em nosso viver, prejudicando nossas vidas e fazendo com que sejamos
inúteis no serviço do Senhor. Vamos encarar agora essas ervas daninhas a fim de
destruí-las e apagá-las do nosso viver. Tiago mostra em poucas palavras o
dramático prejuízo causado pela língua: “Ora, a língua é fogo; é mundo de
iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina
o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda carreira da existência humana,
como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno” (Tiago 3:6).
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