terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A VERDADEIRA FELICIDADE (37)


 “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá” (Salmo 32:10)
A APRESENTAÇÃO DO HOMEM FELIZ: “...mas o que confia no Senhor...”
        Caro leitor, prossigamos vendo as lições que o Espírito de Deus nos mostra na frase: “...a misericórdia o assistirá”. Na meditação anterior pude mostrar superficialmente o fato que a misericórdia assiste o salvo em suas necessidades diárias, porquanto Deus prometeu suprir diariamente aquilo que precisamos para nossa manutenção no que se refere à vestimenta e ao pão de cada dia. Que possamos regozijar nessa verdade de termos o Todo poderoso cuidando de nós! Aquele que aprouve fazer de nós participantes do Seu reino, certamente há de sustentar-nos em nossa breve peregrinação terrena. Caro leitor, pela fé ouça as doces palavras do nosso Senhor: “Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lucas 12:32).
    O meu segundo argumento consiste em declarar que a mesma misericórdia que nos alcançou para nos salvar, também há de nos assistir nas provações desta vida. Como essa felicidade que os crentes têm parece tão contraditória! Como podem os crentes dizer que são felizes no meio das provações? Por que Deus simplesmente não isenta Seus santos das dificuldades e lutas? Por que o viver não flui normalmente? Por que não estamos isentos do medo e terrores durante nosso viver? A resposta é porque os crentes precisam ver a vida do ponto de vista de Deus e não do nosso ponto de vista. A felicidade dos santos não está fundamentada num viver fácil e cheio de benefícios. Por quê? Primeiramente, o mundo não é lugar para isso: “...o mundo inteiro jaz no maligno” (1João 1:19). Nosso Senhor deixou claro para Seus discípulos que no mundo eles achariam aflições (João 16:33).
    Em segundo lugar, o Senhor mostra Sua glória no viver dos Seus santos através das provações. Ele é “...socorro bem presente nas tribulações” (Salmo 46:1). Deus abre o pacote da felicidade para os crentes por meio das provações. Nossos olhos vislumbram as maravilhas da glória quando estamos envolvidos pelos laços das dificuldades. Conhecemos a paz, a liberdade, o amor, a santidade, o gozo, regozijo e outras maravilhas oriundas da graça quando o Senhor aparece em nosso socorro, atendendo nossas súplicas e removendo os laços da carne que tanto arruínam a alma (1 Pedro 2:11). Precisamos estar livres do peso que tanto atordoa o mundo; precisamos aprender a sobrevoar como águias as alturas onde somente a fé pode alcançar, por essa razão é que o Senhor permite as provações. E mesmo que Ele queira nos colocar em posição de destaque neste mundo, com mais honras materiais, Ele nos prepara para isso. Foi dessa maneira aparentemente cruel que Ele lidou com José no Egito, fazendo-o passar pelos vales da dor, da saudade, da solidão, da injustiça, a fim de enchê-lo de amor, paciência, bondade e altruísmo e assim tornar o vice-regente do Egito naquele tempo, servindo as necessidades do mundo e especialmente dos seus irmãos.
    Por último, digo e afirmo que a misericórdia nos assistirá no transportar desta vida para a outra. Amado irmão, estamos indo para a cidade celestial; a cada passo estamos mais perto do lar. E chegará o momento da última invocação do santo: “Ele me invocará, e eu lhe responderei, na sua angústia estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei” (Salmo 91:14). Todos os santos que partiram experimentaram a doce presença dessa misericórdia! A força incrível da graça que supera o poder subjugador da morte! O domínio controlador do amor eterno que deixa patética a expectativa do inferno! “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos” (Salmo 116:15).
    Eis aí o segredo da felicidade! Ela está completamente oculta dos olhos mundanos! A felicidade consiste em ser carregado pelos braços de misericórdia! Consiste em ser triunfante no viver e na morte! Consiste em saber que caminha de glória em glória! Que avança para uma posição infinitamente melhor!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A VERDADEIRA FELICIDADE (36)


 “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá” (Salmo 32:10)
A APRESENTAÇÃO DO HOMEM FELIZ: “...mas o que confia no Senhor...”
    Caro leitor, nesta meditação pretendo encerrar os comentários em torno desse verso 10, na frase onde o homem feliz é apresentado: “...mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá”. Veremos que a mesma misericórdia que salva o perdido é a misericórdia que o acompanha dia após dia. O salvo é consciente disso: “... bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida...” (Salmo 23:6). O leitor atento e meticuloso no exame das Escrituras verá que o segredo da nossa felicidade consiste num entendimento, não somente da condição da natureza pecaminosa na qual o crente ainda carrega, como também da situação deste mundo mergulhado em trevas e dominados pelas forças do mal. Como é que Deus lida com Seus santos enquanto peregrinam neste mundo? A resposta é clara e objetiva: “... a misericórdia o assistirá”.
    Em nossos dias a teologia da prosperidade tem ganhado muita força e tem enchido corações até mesmo de crentes com a idéia fantasiosa de uma vida confortável para o crente neste mundo. A super fé tem sido exaltada acima da própria graça e Deus tem sido visto de forma distorcida, como alguém ocupado agora em satisfazer nossos desejos e ambições terrenas. Uma teologia errônea coloca as pessoas numa situação terrível e embaraçosa no viver. Caro leitor, permita que eu explique essa frase: “...a misericórdia o assistirá”, com três argumentos, creio eu suficientes para nosso entendimento do que significa a verdadeira felicidade no viver do crente.
    O primeiro é que a misericórdia assistirá os crentes nas suas necessidades. Deus jamais prometeu que nos dará aquilo que queremos, mas sim aquilo que necessitamos. Qualquer coisa a mais do que realmente precisamos vem como peso e obstáculo na jornada. Nunca o salvo há de passar fome. Talvez não tenhamos aquilo que gostaríamos de ter em nossos costumes. Mas, o Senhor tem dado muito mais do que aquilo que realmente precisamos. Ele prometeu suprir nossas necessidades de alimentação e de roupa (Mateus 6:25), e Ele o faz em abundância. Ele não somente supre, mas enfeita nossas mesas enchendo-as de farturas. Caro leitor, o Senhor faz isso na misericórdia Dele e muitas vezes Ele permite que seja tirada a fartura, mas nunca deixa de manter a provisão necessária.
    Ó ovelhinha, o Bom Pastor jamais falha! Ó ovelhinha frágil e indefesa, Aquele que te amou, com um amor que se deu a Si mesmo, porventura, há de faltar em cuidar te ti? Aquele que conduz Seu povo pela estrada estreita até a chegada no céu é Fiel em Suas promessas! A infidelidade é sempre nossa, porque sempre estamos falhando em render-Lhe graças e glórias: “Rendei graças ao Senhor por Sua bondade e misericórdia” (Salmo 107:1). Ele age de tal maneira conosco para que aprendamos que a sabedoria e prudência não chegam a nós se recebermos tudo aquilo que em nossa infantilidade espiritual desejamos possuir. Não esqueçamos que é a misericórdia que nos assiste; temos um dom precioso continuamente à nossa disposição, enquanto o mundo caminha para a perdição.
    Digo mais, que o Senhor está ocupando em nos tornar mais santos em nosso viver (Hebreus 12:14). As instruções da palavra de Deus nos mobilizam a buscar maior conhecimento do Senhor, mais caráter semelhante ao de Cristo, porque aí está o segredo de um viver realmente abundante e feliz. Vou mais longe ao afirmar que é num viver santo que conheceremos mais maturidade e demonstração do amor de Cristo em favor de nossos semelhantes. Quanto mais servirmos uns aos outros, mais alegria e felicidade irradiarão em nossas vidas. Portanto, digo que ganharemos mais quando damos de nós, quando gastamos nosso ser em busca da glória de Cristo em nosso viver e do bem-estar de nosso próximo.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

NO VALE


“... Levanta-te e sai para o vale, onde falarei contigo. Levantei-me e saí para o vale, e eis que a glória do Senhor estava ali...” (Ezequiel 3:22,23).
    Talvez imaginemos os profetas como homens que jamais experimentaram dificuldades no viver, pelo fato que eram homens comissionados por Deus e que viviam assim debaixo dos cuidados de Deus. Debaixo da proteção de Deus sim, mas livre das perturbações que este mundo traz, jamais! Ezequiel foi o profeta dos contrastes. Num momento podia vislumbrar a glória do Senhor, mas noutro momento já estava mergulhado em tristezas ao ver as desolações no meio do seu povo ocasionadas pelo exílio e mortandades em Jerusalém.
    Na passagem lida vemos para onde o profeta foi levado, para um vale. O vale é exatamente o contrário dos montes. Que notícias tristes o profeta teve ali! “Porque, ó filho do homem, eis que porão cordas sobre ti e te ligarão com elas; e não sairás do meio deles”. Quanto sofrimento teria aquele servo do Senhor para cumprir fielmente o ministério que lhe fora dado.
    Mas foi no vale que o mais importante aconteceu: “Eis que a glória do Senhor estava ali...”. Tem algo mais importante do que isso? Ali embaixo, não lá em cima; ali no lugar de desolação, não no cume do monte da felicidade; sim, ali mesmo, no lugar onde só se espera abatimentos e tristezas, A GLÓRIA DO SENHOR ESTAVA ALI.
    Queridos irmãos, eis aí a grande e preciosa lição que o mesmo Senhor o Deus de Ezequiel, o grande Emanuel, Deus conosco, nos mostra para nosso bem. Quantos santos agora estão passando pelo vale de tristeza e dor, de desamparo e aflição! Nosso Senhor afirmou que neste mundo teríamos exatamente isso que santos passaram e que passam hoje. Mas é no Vale que os santos de Deus podem conhecer o quanto são fracos e que precisam da glória de Deus e do Deus da Glória. O que somos neste mundo? O que este mundo pode nos dá?  Somente aflições e nada mais.
    É no vale que também podemos conhecer o privilégio que o mundo jamais poderá ter, porquanto está separado da glória de Deus (Rm. 3:23). É no vale que conhecemos nossa miséria e fracasso, e que somos o que somos pela sobreexcelente graça. É no vale que somos erguidos do nosso fracasso e penúria para as alturas do prazer da vida cristã e da genuína liberdade dos filhos de Deus. Sim, é o vale, mas o vale sempre antecede o monte. Deus não pretende nos acorrentar no vale, mas sim tirar os grilhões que nos prendem aqui a fim de nos erguer para nosso triunfo eternal.
    Está passando pelo vale? Pode ter certeza irmão, que a GLÓRIA DO SENHOR ESTÁ ALI!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Examinando Nosso Arrependimento




Thomas Watson


Nascido em 1620, Thomas Watson estudou em Cambridge (Inglaterra). Em 1646, iniciou um pastorado de dezesseis anos em Londres. Entre suas principais obras, estão o seu famoso Body of Pratical Divinity (Compêndio de Teologia Prática), publicado postumamente em 1692.


Se alguém diz que se arrependeu, desejo que examine-se a si mesmo, seriamente, por meio dos sete... efeitos do arrependimento delineados pelo apóstolo em 2 Coríntios 7.11.

1. Cuidado. A palavra grega significa uma diligência intensa ou um esquivar-se atento de todas as tentações ao pecado. O homem verdadeiramente arrependido foge do pecado como Moisés fugiu da serpente.

2. Defesa. A palavra grega é apologia. O sentido é este: embora tenhamos muito cuidado, podemos cair no pecado devido à força da tentação. Ora, nesse caso, o crente arrependido não deixa o pecado supurar em sua alma; antes, julga a si mesmo por causa de seu pecado. Derrama lágrimas perante o Senhor. Clama por misericórdia em nome de Cristo e não O deixa, enquanto não obtém o seu perdão. Assim, em sua consciência, ele é defendido da culpa e se torna capaz de criar uma apologia para si mesmo contra Satanás.

3. Indignação. Aquele que se arrepende levanta o seu espírito contra o pecado, assim como o sangue de alguém sobe quando ele vê um indivíduo a quem odeia mortalmente. A indignação significa ficar importunado no coração por causa do pecado. O penitente sente-se inquieto consigo mesmo. Davi chamou a si mesmo de “ignorante” e “irracional” (Sl 73.22). Agradamos mais a Deus quando arrazoamos com nossa alma por conta do pecado.

4. Temor. Um coração sensível é sempre um coração que teme. O penitente sentiu a amargura do pecado. Este vespa o ferrou, e agora, tendo esperança de que Deus está reconciliado, ele teme se aproximar novamente do pecado. A alma penitente está cheia de temor. Tem medo de perder o favor de Deus, que é melhor do que a vida, e receia que, por falta de diligência, fique aquém da salvação. A alma penitente teme que, depois de amolecido o seu coração, as águas do arrependimento sejam congeladas, e ela seja endurecida no pecado novamente. “Feliz o homem constante no temor de Deus” (Pv 28.14)... Uma pessoa que se arrependeu teme e não peca; uma pessoa que não tem a graça de Deus peca e não teme.

5. Desejo intenso. Assim como o bom tempero estimula o apetite, assim também as ervas amargas do arrependimento estimulam o desejo. O que o penitente deseja? Ele deseja mais poder contra o pecado, bem como ser livre deste. É verdade que ele está livre de Satanás; mas anda como um prisioneiro que escapou da prisão com algemas nas pernas. Ele não pode andar com liberdade e destreza nos caminhos de Deus. Deseja, portanto, que as algemas do pecado sejam removidas. Ele quer ser livre da corrupção. Clama nas mesmas palavras de Paulo: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Em resumo, ele deseja estar com Cristo, assim como tudo deseja estar em seu devido lugar.

6. Zelo. Desejo e zelo são colocados lado a lado a fim de mostrar que o verdadeiro desejo se manifesta em esforço zeloso. Oh! como o crente arrependido se estimula nas coisas pertinentes à salvação! Como se empenha para tomar por esforço o reino de Deus (Mt 11.12)! O zelo incita a busca pela glória. Ao se deparar com dificuldades, o zelo é encorajado pela oposição e sobrepuja o perigo. O zelo faz o crente arrependido persistir na tristeza santa mesmo diante de todos os desencorajamentos e oposições. O zelo desprende o crente de si mesmo e leva-o a buscar a glória de Deus. Paulo, antes de sua conversão, era enfurecido contra os santos (At 26.11). Depois da conversão, ele foi considerado louco por amor a Cristo: “As muitas letras te fazem delirar!” (At 26.24). Paulo tinha zelo e não delírio. O zelo causa fervor na vida espiritual, que é como fogo para o sacrifício (Rm 12.11). O zelo é um estímulo para o dever, assim como o temor é um freio para o pecado.

7. Vindita. Um crente verdadeiramente arrependido persegue os seus pecados com uma malignidade santa. Busca a morte dos pecados como Sansão queria vingar-se dos filisteus pelos seus dois olhos. O crente arrependido age com seus pecados da mesma maneira como os judeus agiram com Cristo. Ele lhes dá fel e vinagre para beberem. Crucifica as suas concupiscências (Gl 5.24). Um verdadeiro filho de Deus busca a ruína daqueles pecados que mais desonram a  Deus... Com o pecado, Davi contaminou o seu leito; depois, pelo arrependimento, ele inundou seu leito com lágrimas. Os israelitas pecaram pela idolatria e, posteriormente, viram como desgraça os seus ídolos: “E terás por contaminados a prata que recobre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as tuas imagens de fundição” (Is 30.22)... As mulheres israelitas que haviam se vestido à moda da época e, por orgulho, tinham abusado do uso de seus espelhos ofereceram-nos depois, tanto por zelo como por vingança, para o serviço do tabernáculo de Deus (Êx 38.8). Com o mesmo sentimento, os mágicos... quando se arrependeram, trouxeram seus livros e, por vindita, queimaram-nos (At 19.19).

Estes são os benditos frutos e resultados do arrependimento. Se os acharmos em nossa alma, chegamos àquele arrependimento do qual nos arrependeremos (2 Co 7.10).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A VERDADEIRA FELICIDADE (35)


 “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá” (Salmo 32:10)
A APRESENTAÇÃO DO HOMEM FELIZ: “...mas o que confia no Senhor...”
    Caro leitor, meu trabalho consiste em examinar de perto a frase: “...mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá”. Já pude mostrar que a verdadeira felicidade tem um alicerce; que sua base está na firme e sólida segurança eterna; que foi o Filho, o grande conquistador de uma tão grande salvação e que a nova vida começa na morte do velho homem, quando o homem arrependido passa a conhecer o temor do Senhor e sabe que foi visitado pela misericórdia; que agora é nova criatura, caminha com Deus neste mundo e que marcha triunfalmente para o céu.
    Pude mostrar também, que a fé que leva o homem à salvação em Cristo é uma chama que jamais apaga: “...aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6), por isso a verdadeira felicidade é resultado de uma contínua confiança em Deus: “...mas o que confia no Senhor...”, e essa confiança é fortalecida na palavra e pela palavra. Nossa natureza tão apegada às coisas terrenas inclina-se a fugir da Palavra, por isso o salmista suplicou: “...não me deixes desviar dos teus mandamentos” (Salmo 119:10). Sofremos porque não mantemos a fé acesa, em plena luz num mundo de trevas. Sofremos porque ao recusar a direção da palavra de Deus, nossa tendência é buscar os tições acesos deste mundo. O salvo precisa manter a lâmpada de sua fé brilhando, porquanto continuamente satanás tenta apagar nosso amor e arrefecer nosso ânimo. Caro leitor crente, o mundo precisa ver em plena incandescência nossa confissão e nosso viver precisa estar cheio de fruto da justiça, a fim de que o Nome do Senhor seja glorificado. Uma fé sem determinação, sem um propósito firme de servir ao Senhor; uma fé que brilhou apenas na conversão mas, que não expandiu, não se tornou cálida mediante as maravilhas da verdade revelada, certamente fará que sejamos como crianças, egoístas, ocupados com nossos interesses pessoais. Precisamos avançar! A alegria do Senhor é nossa força! Prossigamos em conhecê-Lo mais e conquistar territórios do Seu amor e de Sua santidade!
    Vamos agora curtir a frase final do verso 10: “...a misericórdia o assistirá”. Ó como a palavra de Deus é realmente reveladora e humilhante para a natureza carnal! Porque, como podemos compreender felicidade onde há necessidade de misericórdia? Parece tão paradoxal, não?’’. Ora, o mundo não aceita isso, porque para a mente mundana não pode haver esse conceito tão negativo acerca de si mesmo, se alguém quer ser feliz. Para o mundano, o caminho da felicidade consiste em que você seja bem positivo, a fim de aproveitar bem a vida como ela é. O homem natural conhece felicidade de fora para dentro, enquanto o crente conhece a verdadeira felicidade de dentro para fora: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento...” (Romanos 12:2).
    O verdadeiro crente sabe disso e não há necessidade de montar uma nova estrutura espiritual em seu viver. O salvo não busca uma nova teologia de vida abundante, porque sabe que sua vida começou quando foi visitado pelo braço forte da salvação em Cristo: “...mas segundo a sua misericórdia Ele nos salvou...” (Tito 3:5). Um homem cujos olhos foram abertos para conhecer sua condição tão triste em Adão, há de permanecer na santa dependência dessa misericórdia! Ele sabe que até mesmo uma pequenina atitude de orgulho é o passo certo para a ruína, por essa razão é que Deus disciplina Seus santos.
    Caro leitor, você um dia conheceu sua miséria e merecimento do inferno? Um dia a perfeita lei mostrou seu estado de maldito? Um dia pode olhar para aquele que na cruz sofreu o castigo de nossos pecados? Um dia pode invocar o Salvador bendito e achar Nele tudo o que sua alma tanto anelava? Se houve isso, não há alguém mais feliz neste mundo, porque você sabe o que significa a frase: “...a misericórdia o assistirá”!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A VERDADEIRA FELICIDADE (34)


 “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá” (Salmo 32:10)
A APRESENTAÇÃO DO HOMEM FELIZ: “...mas o que confia no Senhor...”
    Caro leitor, o final deste salmo é algo magnífico, porquanto quem aparece é o homem verdadeiramente feliz. Veremos isso no final do verso 10, mas com uma apresentação digna de nossa observação no verso 11. Na apresentação do homem feliz nada tem daquilo que tanto espera a natureza carnal, porque o que o Espírito de Deus faz é mostrar ao mundo o homem que Deus transformou pela verdade da cruz. A felicidade verdadeira tem uma estrutura firme e inabalável; está firmada na Rocha dos séculos; ancorada na firme e eterna promessa da segura salvação mediante o sangue remidor, conforme o estribilho de um belo hino:
                Na redenção firmado estou, meu cativeiro já findou
                Contente cantarei louvou ao meu glorioso redentor
    Veja caro leitor, que não há como explicar a verdadeira felicidade para o mundo, porque é estranha essa linguagem à mente natural (1 Coríntios 2:14). É um tesouro encoberto aos olhos dos grandes, poderosos e ricos deste século. Mas é minha tarefa expor essas verdades, pois sei que há pecadores por quem Cristo morreu que estão buscando a felicidade que invade a alma, que avança de glória em glória e pode ser demonstrada neste mundo perante a perplexidade dos ímpios.
    Vemos que há uma base sólida e inabalável no viver do homem feliz: “...mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá”. Eis aí o segredo e surge a primeira e mais importante lição. Ela aparece numa fé que começou com Deus e continua com Ele: “...confia no Senhor...”. Meditemos nisso, porque a fé firme e corajosa do homem feliz repousa em seu Senhor e Salvador. Ao olhar a origem de tudo isso saberemos que a felicidade eterna está no coração de um homem que tem o temor do Senhor; de uma alma que foi a Ele por causa de Sua compaixão demonstrada em Cristo Jesus. Ora, ninguém pode ir a Deus se não for atraído por Ele mesmo: “...Pois quem por si mesmo ousaria chegar-se a mim? diz o Senhor” (Jeremias 30:21). Então, a fé que realmente confia tem seu início na cruz, mediante a poderosa atuação daquele que ali conquistou a fé para Seu povo. Paulo demonstra isso em sua própria experiência em Gálatas 2:20: “...vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim”.
    O leitor atento há de perceber que a fé verdadeira não murcha, não apaga com o tempo. A confiança que o pecador deposita no Salvador para o perdão, salvação e segurança eterna, há de persistir durante seu viver, conforme vimos em Romanos 1:17: “...de fé em fé, como está escrito: o justo viverá da fé”. Caro leitor, estou enfatizando que a felicidade verdadeira deriva da cruz para um coração contrito, arrependido e que confesso. Uma pessoa assim há de persistir nessa confiança dia após dia. Preste atenção no texto: “...mas o que confia no Senhor...”, não ...”o que confiou...”. Estou delongando nesse assunto porque há uma confiança tão badalada em nossos dias, tudo por causa de uma pregação barata e açucarada a respeito da graça. Isso tem trazido tantos males para a vida daquele que acha que é crente.
    Ora, não existe alguém mais feliz no viver do que aquele que em humildade, submissão e temor vive na dependência diariamente do Deus da bíblia. O Senhor habita no céu e habita num coração contrito. A felicidade genuína tem essa verdade como base e assim está pronto para a caminhada rumo à felicidade eternal no céu. Eis aí o crente verdadeiro! Eis aí alguém cuja alma repousa numa paz que jamais será arrancada pelos vendavais deste mundo! Nada é falado a respeito da condição material dele; nada aparece das promessas ocas feitas por homens de torpe ganância, como vemos em nossos dias! O homem salvo é feliz e essa felicidade consiste no fato que ele “...confia...” no Senhor! Seu Deus é seu Salvador e Senhor; é sua fortaleza, torre forte, amparo, segurança e sustento!
    Caro leitor, em qual alicerce você tem estruturado sua vida, a fim de buscar felicidade?



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A VERDADEIRA FELICIDADE (33)


 “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no Senhor a misericórdia o assistirá” Salmo 32:10.
APRESENTAÇÃO DO HOMEM FELIZ E O HOMEM INFELIZ
    Caro leitor quero prosseguir, dando agora o toque final no assunto que se refere ao sofrimento do ímpio: “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio...”. Procurei mostrar que é inevitável o sofrimento nesta vida e que não há refúgio aqui, não há esconderijo contra as forças do mal que militam neste mundo, e que não há possibilidade de construir qualquer ambiente que forneça livramento dos terrores que atormentam este vale. Veja amigo, como a revelação bíblica deixa as coisas claras e que é o desconhecimento da Palavra de Deus que traz miséria e infortúnios. Notemos bem este mundo não pode ser tomado como um lugar de refúgio paradisíaco, porque a bíblia chama este lugar de “império das trevas” (Colossenses 1:13), revelando ser um lugar onde os homens estão entretidos na mentira, levados pelo engano, confusão e ilusão. Também, vemos em várias passagens que aqui é um palco de guerra, como o Salmo 91, um lugar onde Deus está derramando o furor da sua ira contra aqueles que vivem no pecado.
    Eu sei que não gostamos de ouvir isso, porque estamos acostumados a ouvir palavras bonitas e mensagens que fazem cócegas em nosso ego. Mas, precisamos saber que as coisas não funcionam do jeito que eu quero, ou mesmo porque ordeno. O mundo é o lugar onde inimigos de Deus estão bem armados contra o Senhor e contra o Seu Ungido (Salmo 2); vemos como Deus é apresentado com um guerreiro apontando suas flechas contra o peito dos inimigos: “Se o homem não se arrepender, Deus afiará a sua espada; armado e teso está o seu arco” (Salmo 7:12). Sei que milhares odeiam ouvir a respeito dessa verdade. Faz pouco tempo que um senhor falou comigo que não aceitava o Deus do Velho Testamento, mas somente do Novo. Mas, nada muda no Novo Testamento no que diz respeito a pessoa do imutável Deus. Permanece inalterado Sua glória, santidade, poder e Ira, assim como Seu amor revelado aos que se arrependem. Segundo vemos em João 3:36, para aquele que permanece rebelde contra o Filho: “...a Ira de Deus permanece sobre ele”.
    A palavra do eterno Deus mostra muito mais o sofrimento eterno que aguarda os ímpios: “Os ímpios irão para o Seol, sim, todas as nações que se esquecem de Deus” (Salmo 9:17). A mentalidade natural desconhece que do Juiz eterno virá punição eterna. O coração enganoso e enganado pensa que a morte é um descanso, um fim desejável para uma alma que viveu no pecado. Mas, quanto engano! Com respeito aos ímpios, eis o que afirma o Deus do Novo Testamento: “os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do senhor e da glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:9). Também, é digno de nossa observação o fato que Cristo veio ao mundo para salvar. Salvar de que? O termo “salvação” sempre indica perigo. Mas a Palavra de Deus deixa isso bem claro: “...para que todo aquele que Nele crê não pereça...” (João 3:16). O termo perecer trata-se da destruição eterna que virá após a morte. Veja a linguagem de julgamento contra aqueles que recusam a verdade salvadora: “Quem Nele crê não é condenado...” (João 3:18). Se há condenação é porque há um Juiz que ordena que o culpado seja lançado no lugar merecido.
    Prezado leitor, o assunto não somente é amplo nas Escrituras, como também é oportuno. De minha parte haverá esforço e dedicação, com a graça de Deus para anunciar essas verdades aos meus leitores. Eu sei que para encarar essas verdades somente o Senhor leva homens e mulheres à busca desses fatos. Mas, homens e mulheres precisam ser alertados! Precisam encarar o fato que estão iludidos, ludibriados e aprisionados neste mundo! Que suas almas estão em perigo, mesmo que o viver aqui pareça tão belo e agradável! Meus queridos leitores precisam ser advertidos que caminham para o juízo, caso não houve conversão sincera a Cristo! Satanás coloca sonhos e fantasias mundanas nos corações, mas a Palavra de Deus põe nossos pés no chão! Portanto, humildemente renda a Cristo agora, caro leitor! Receba Dele o perdão, a justiça e reconciliação com Deus! Foi na cruz que o Filho de Deus conquistou eterna redenção para pecadores contritos!