“Como está escrito: Eis que eu ponho em
Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; e todo aquele que crer
nela não será confundido.” (Romanos 9:33)
Spurgeon
Além
disso, um Cristão teria motivos de ser envergonhado se as promessas de Cristo
não fossem cumpridas. São muito ricas e muito plenas, e há muitíssimas delas, e
se eu tomo estas promessas e atuo segundo a Palavra de Deus, e logo, depois de
tudo, encontro que a promessa é um mero papel de refugo; se o Senhor rompesse o
Seu próprio juramento, então eu seria envergonhado por ter acreditado num Deus
infiel! Mas, quando será isso? Cristão, ainda não te chegou esse tempo? Tens
visto promessas aplicadas com poder ao teu coração, e as tens levado a Deus em
oração. Permite-me apelar à tua experiência. Não têm sido cumpridas, além da
tua expectativa ou da tua fé? Não tem feito Deus por ti, coisas extremamente
abundantes, que ultrapassam o que possas pedir ou pensar?
E,
todavia, nesta manhã talvez tenhas medo de que a Sua promessa não seja
cumprida! Estás a assistir aqui com um espírito abatido, tiveste tantos
problemas durante a semana que realmente começas a estar envergonhado por teres
confiando em Deus. Envergonha-te de ti mesmo por estares envergonhado! Mas,
podes estar seguro de que a tua confiança não é algo de que devas
envergonhar-te. Mas, oh meus irmãos, quão envergonhado estaria o Cristão se
quando chegasse ao momento da morte não encontrasse apoio, não visse a qualquer
anjo amável junto ao seu leito, ou que algum Salvador lhe sustentasse a sua
cabeça ao alto, no meio das ondas! Mas, ouviste alguma vez de algum Cristão que
se envergonhasse na hora da sua morte? Não é antes pelo contrário, mais
exatamente, o claro testemunho de todos os que partiram que os seus últimos
momentos foram dourados com a luz do sol do Céu?
Não
cantaram nos seus leitos de morte, com David: “Sim, ainda que eu andasse pelo
vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo; a Tua
vara e o Teu cajado me consolam?” Se, na verdade, pudéssemos despertar na
ressurreição e descobrir-nos sem um Salvador; se pudéssemos estar no tribunal
de Deus e descobrir que o sangue de Cristo não nos tivesse limpo; se, depois de
toda a nossa fé Nele O ouvíssemos dizer: “Apartai-vos de mim, malditos, para o
fogo eterno”, então poderíamos ser envergonhados! Porém, o nosso texto
assegura-nos que nunca teremos de sofrer isso. Então podemos apoiar-nos
plenamente sobre este doce consolo: que tendo crido em Cristo nunca nos veremos
na necessidade de nos envergonharmos da nossa esperança, nem nesta vida, nem na
vida vindoura.
2.
Tendo notado quando o Cristão poderia ser envergonhado, notemos por que poderia
ser envergonhado se tais coisas se dessem. Algumas vezes pensei, queridos
Amigos, que em algum sentido, se se chegasse a demonstrar que a Bíblia é falsa,
nunca me veria envergonhado por ter acreditado nela. Se não houvesse um
Salvador, penso que quando estivesse diante do trono de Deus não seria
envergonhado por ter crido no Evangelho, porque, parece-me que poderia
atrever-me a dizer inclusive ao Deus eterno: “Grandioso Deus, eu acreditei isso
de Ti, o que refletia a mais excelsa honra sobre o Teu caráter; cri-Te capaz de
um grandioso ato de graça: a entrega do Teu próprio Filho; cri-Te tão justo que
não perdoarias sem um castigo e, todavia, tão misericordioso que preferirias
entregar o Teu Filho a não teres misericórdia dos homens.
Cri
de Ti coisas mais excelsas que as que creram os judeus, ou os muçulmanos ou os
pagãos, e a minha alma amou-Te por isso, na verdade; eu, com efeito, preguei
aquilo que pensei que honraria o Teu nome, e agora que resulta ser um equívoco,
não me vejo envergonhado por haver crido, pois era algo que deveria de ter sido
verdadeiro, que a Tua natureza e o Teu caráter faziam provável que fosse
verdade, e lamento ao ver que não o é, mas, não estou envergonhado! Queria que
tivesse sido certo; isso far-Te-ia mais glorioso, do que o és, grande Deus.”
(extraído)
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